O dia em que um jato F-5 atropelou um fusca

Postado por: Júlio César de Medeiro

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O ano é 1980. Imagine você dirigindo seu Fusca por uma simples estrada de terra. Alguns metros de pista e logo você chega na estrada principal, asfaltada, que o levará até a cidade. De repente um estrondo, um clarão e um tranco enorme que te desnorteia a ponto de você não crer que na sua frente está um avião a jato freando na pista que antes só tinha você e seu fuscão.

Consegue imaginar o susto? Pois foi isso que aconteceu na estrada que liga as cidades de Varginha e Paraguaçu, em Minas Gerais. Dois jatos F-5 voavam em missão de treinamento quando um deles precisou realizar um pouso de emergência em uma estrada próxima, por falta de combustível. As razões dessa falta de combustível são meio obscuras na história, mas fato é que não havia outra solução para o piloto do caça. Escolhida a pista, o piloto começa os procedimentos de pouso enquanto o outro avião envia as informações para a base, com o objetivo de já adiantar o trabalho da equipe de solo, que futuramente teria que retirar o avião dali. Alinhado na estrada, o piloto começa a descida quando subitamente, do meio do nada, surge um Fusca!

Naquela altura era impossível realizar qualquer manobra para evitar o impacto entre o avião e o carro. Em questão de segundos o veículo foi atingido no teto pelo trem de pouso do avião, sentindo na sequência a força do vento deslocado pela turbina (o "jet blast"), aterrorizando o motorista. O avião não sofreu avarias e conseguiu completar o pouso. A FAB apareceu com sua equipe de solo no outro dia para abastecer o avião, fazer as manutenções necessárias e colocar o F-5 para decolar dali mesmo, retornando para a base.

Mas e o Fusca? Aí vem outro fato curioso da história. Reza a lenda que uma equipe da Força Aérea entrou em contato com o dono do fusquinha para ressarcir os danos e, para espanto dos oficiais, a resposta foi um sonoro "NÃO". Segundo ele, se o veículo fosse consertado, ninguém acreditaria na sua história.

Parece história de pescador né? Eu também acharia isso, se não fossem pelas fotos comprovando o ocorrido.

Fica hoje meu especial abraço aos amigos Renato Meurer e Itacir Bonetto, que mandaram os dados desse causo.

História original retirada da Revista Força Aérea n-01 Action Editora, ano 1995/6. Créditos das fotos: Rogério Nick

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