Água benta no rádio

Postado por: Adalíbio Barth

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Um jovem precisava de boa avaliação de seu trabalho de Faculdade. Depois de muito estudo e pesquisa, conseguiu elaborar um trabalho pessoal, com dez páginas de papel ofício, que o deixou extremamente eufórico pela feliz conclusão da estafante tarefa.

Sua mãe, admiradora das bênçãos do Pe. João, convidou-o a colocar o trabalho escolar em frente ao rádio e um copo de água em cima do receptor, para agradecer a feliz conclusão dos trabalhos. Todos os dias, às dezoito horas, na hora da Ave Maria, ela costumava seguir este ritual da bênção da água, para tomá-la e também para usá-la na preparação da comida.

As orações foram acompanhadas com muita piedade pelo jovem, já com a pasta pronta para logo em seguida dirigir-se às aulas. Foi a primeira vez que aceitou fazer as orações, junto à sua piedosa mãe, pois sentiu a necessidade de agradecer pela tarefa cumprida. Finda a oração, acompanhou o sinal da cruz. Ao levantar o braço, por um descuido inopinado, atingiu o copo de água, cujo conteúdo caiu inteiramente sobre seu trabalho de aula. Quanto mais procurava protegê-lo, mais ainda o ensopava com o abençoado líquido.

As folhas estavam encharcadas e as letras borradas, impossíveis de serem ainda  aproveitadas. O desânimo tomou conta do jovem, pois necessitava reescrevê-lo na velha máquina de escrever, pois não existia ainda o computador, onde pudesse salvá-lo com facilidade ou mesmo tirar outra cópia.

Nesta hora cheguei para a bênção da casa. Não sabendo do sinistro, o jovem me recebeu na porta da casa com uma pergunta, que me deixou desapontado:

- E trouxe água benta?

- Sim! – respondi-lhe prontamente.

- Então, nada feito porque hoje não quero mais ver água nenhuma. E já estou indo para a escola.

O jovem saiu rapidamente porta afora. Felizmente a mãe do jovem, muito compreensiva, esclareceu-me tudo sobre o ocorrido.

Há muitos rituais que o povo utiliza para demonstrar a sua fé. Todavia, são coisas acidentais da fé cristã e não fazem parte do cerne da vida cristã. Mas cada um pode cultivar a sua fé como quiser. Para quem possui uma fé mais adulta, estranha as crendices e os exageros e valorizações de eventuais ritos, como se fossem essenciais para a vida cristã.

 

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