Escola Padre Anchieta abre as portas para a literatura

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Os guarda-chuvas coloridos pendurados em meio às árvores anunciavam: ali tinha uma Estação de Leitura. E não era preciso procurar muito, bastava seguir as crianças que, vestidas como os personagens das histórias que leram, indicavam o caminho formado por exposições, espaços interativos, móbiles, desenhos e maquetes. Os trabalhos que cobriam as paredes do ginásio da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre José de Anchieta, no bairro Jerônimo Coelho, em Passo Fundo, foram desenvolvidos pelos estudantes por meio da ação “Caminhos e estações: leitores e autores”, promovida pelas Jornadas Literárias da Universidade de Passo Fundo (UPF), em parceria com a Prefeitura de Passo Fundo, que teve seu ponto alto na manhã desta quarta-feira, dia 19 de setembro, quando a escola abriu suas portas para receber a comunidade. 

A Estação de Leitura na Escola Padre José de Anchieta envolveu cerca de 400 estudantes e pelo menos 15 professores diretamente. “Estamos honrados em receber esse evento e acolher essa comunidade, que sempre se faz presente. Foi um trabalho em equipe e que gerou esse resultado. As crianças pegaram gosto pelas obras lidas e disputaram os livros. O mérito é de todos, mas em especial dos professores, que foram incansáveis e comprometidos. Um dos papéis da escola é proporcionar acesso à literatura e sempre promovemos essa prática na escola”, destacou a diretora da Escola, Nadir Falcão.

Durante toda a manhã, alunos e professores mostraram suas produções e percepções acerca das obras dos escritores César Obeid, Antonio Schimeneck e Anna Lee. “O nosso objetivo é desenvolver cada vez mais o espírito crítico e também formar novos leitores. Quando a pessoa tem espírito crítico, sabe discernir entre o bem e o mal”, relatou a professora de Artes, Regina Zibetti. 

Além dos trabalhos expostos, o público também acompanhou apresentações de poesia, teatro e dança, que impressionaram quem esteve por lá. “Tem que educar também por meio da leitura. A leitura deixa as pessoas mais inteligentes, ágeis, e aprendemos a amar e viver”, destacou Helena Maria, avó de dois estudantes da escola e que foi prestigiar a Estação de Leitura.

Todo esse trabalho na escola contou com a dedicação de um agente de leitura das Jornadas Literárias, que auxilia a aplicar as práticas leitoras das obras dos autores indicados para essa edição do projeto. “Essa ação despertou ainda mais a vontade dos nossos estudantes pela leitura. Eles pedem para levar os livros para casa. É incrível”, ressaltou a agente de leitura da escola Padre José de Anchieta, a coordenadora pedagógica da escola, Vera Dalbosco.

Todos juntos num grande projeto
Tornar o leitor protagonista é uma das principais frentes das Jornadas Literárias. Com o Jornada em Movimento, o projeto pretende levar a literatura para os mais diferentes espaços, reforçando o poder da literatura de envolver toda uma comunidade. Na opinião de um dos coordenadores das Jornadas Literárias, professor Dr. Miguel Rettenmaier, tanto a Jornada quanto o projeto Jornada em Movimento fazem parte de uma ação coletiva, no sentido de que uma comunidade assume e adota a ideia de formação de leitores dentro de um espaço comunitário e dentro de um conceito de comunidade. “Nós ficamos muito felizes e, ao mesmo tempo que percebemos o quanto a comunidade adota a ideia, também nos associamos a esse projeto com muito carinho e com muito amor. Na realidade, semântica e transitivamente, o verbo amar e o ler têm muitas semelhanças. E nós estamos aqui justamente trabalhando todos juntos nesse grande projeto”, destacou Rettenmaier. 

Para a coordenadora do projeto de extensão da UPF Viva!Emau, professora Dra. Carla Portal, responsável por pensar e projetar os espaços coletivos das Estações da Leitura, a importância de ações como essa está também em valorizar os espaços públicos e abertos. “O que vemos hoje é que as experiências de educação estão muito dentro da sala de aula e nós precisamos educar para a comunidade também, educar para o convívio em comunidade, para o partilhar. As Estações têm esta importância, de fazer realmente as pessoas se reconhecerem como uma comunidade e reconhecerem seus espaços públicos, tomarem conta desses espaços”, observou Carla. 

A representante da Secretaria Municipal de Educação, secretária adjunta Jeanete Basso, agradeceu o envolvimento da escola e da comunidade no projeto. “A comunidade abraçou e acolheu o projeto. Ficamos encantados com os trabalhos. Nossas crianças não são só leitoras, elas exteriorizam aquilo que leem”, comentou Jeanete.

Próximas edições 
As Estações de Leitura são o momento em que estudantes e professores compartilham suas produções e percepções acerca das obras literárias trabalhadas. Marau recebeu a primeira Estação no dia 30 de junho, na Escola Afonso Volpato. A próxima edição naquele município ocorre no dia 10 de novembro, na Escola Vinte e Oito de Fevereiro. Em Passo Fundo, além da Estação do dia 19 de setembro, na Escola Padre José de Anchieta, a Escola São Luiz Gonzaga recebe a atividade no dia 26 de outubro.

Passo Fundo, Lagoa Vermelha e Marau recebem ainda os encontros com escritores. Em Passo Fundo, o próximo encontro será dia 28 de novembro, no Centro de Eventos, das 9h às 14h. Em Lagoa Vermelha, ocorre no dia 29, no Campus UPF Lagoa Vermelha, às 14h, e em Marau, será no dia 30 de novembro, às 14h, com local a ser definido.

Sobre o projeto Jornada em Movimento
O projeto Jornada em Movimento foi criado em 2018 pelas Jornadas Literárias da Universidade de Passo Fundo (UPF). Com uma ação intitulada “Caminhos e estações: leitores e autores”, o projeto está sendo desenvolvido em Passo Fundo e nos municípios de Marau e Lagoa Vermelha em três momentos, que incluem o curso de extensão “A leitura multiplicada: a formação do agente de leitura”, as Estações de Leitura e o Encontro com Escritores. A programação segue até o final do ano.

Texto: Divulgação/UPF
Fotos: Luiz Carlos Carvalho (Rádio Planalto)

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