O seu voto possui ética?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Nestas eleições, observamos comportamentos e tendências, jamais vistos em outras eleições. Evidentemente que estamos diante de uma situação atípica e peculiar, de uma eleição pós-impeachment, com candidatos e apoiadores envolvidos em sua ampla maioria, em organizações criminosas investigadas pela Operação Lava a Jato. A eleição do dia 7 de outubro será uma prova de fogo para candidatos e eleitores, pois veremos nas urnas, o quanto se é tolerante e ético com os seus votos, o povo brasileiro.

A eleição começou com uma apatia jamais vista na história das eleições brasileiras. Candidatos e eleitores pareciam estar constrangidos em fazer campanha e pedirem votos. Muitos dos atuais candidatos estão envolvidos até o pescoço com denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro, sem falar nos que estão presos e impedidos de concorrer. Em plena campanha, seguem as investigações e prisões comandadas pela Polícia Federal, com revelações cada vez mais bombásticas da ousadia do crime organizado, que se instaurou no sistema político brasileiro. As delações premiadas como a de Antônio Palocci, trazem detalhes reveladores e comprobatórios, de um sistema complexo e bilionário de desvio de verbas públicas e cobrança de propinas. O tom das campanhas, tanto por parte dos candidatos como dos simpatizantes, é agressivo e acusatório. Deixaram-se de lado as falas politicamente corretas, para darem lugar aos discursos incisivos, populistas e de certa forma apelativos, com promessas mirabolantes de mudanças drásticas no governo e nas políticas públicas básicas de saúde, educação, segurança pública, economia e previdência. As entrevistas dos candidatos a presidência viraram um verdadeiro bate-boca entre candidatos e entrevistadores. O “destempero” e a falta de ética, parece ter contaminado também os próprios profissionais da imprensa. A violência e agressividade da campanha saíram do campo das ideias e foram para o campo das ofensas pessoais, da agressão física. Um dos candidatos que está à frente das pesquisas chegou a ser esfaqueado durante um ato de campanha e encontra-se na UTI sob cuidados médicos.

O Brasil sofre as consequências de uma eleição que ocorre após a maior crise política da história de nosso País, provocada por esquemas bilionários de corrupção, que vinham sendo executados sistematicamente há anos, tanto no Poder Executivo, como no Legislativo. O “mecanismo” de corrupção era uma pratica rotineira, executada com certa naturalidade por políticos e empreiteiros, só sendo descoberto graças à coragem e astúcia de alguns agentes públicos, que arriscaram a própria vida para enfrentar este mafioso grupo criminoso. O povo brasileiro em sua ampla maioria é um povo ordeiro e que presa pela moral, pela ética na gestão pública, ficando sempre ao lado das autoridades que se impuseram contra a corrupção no Brasil. Foi graças a este apoio popular que se conseguiu avançar com a Operação Lava a Jato. Agora é a vez do eleitor, precisamos dar a resposta nas urnas, mostrando para o Brasil e para o Mundo, o quanto o brasileiro é intolerante e ético com seu voto. Candidatos sob suspeitas de crime, envolvidos em denúncias, com ficha suja de um modo geral, não deveriam receber nosso voto de confiança. Os candidatos ficha suja, deveriam ser banidos da vida pública. Uma pessoa que se dispõe a trabalhar pelo bem comum, em favor do povo, e, se utiliza do cargo público para cometer crimes, deveria ser julgado como crime hediondo.

As cartas estão lançadas, o sistema eleitoral brasileiro ainda é um sistema confiável, do ponto de vista da segurança das urnas. A vida dos candidatos, seus patrimônios, recursos de campanha, processos, coligações e alianças, são públicos e estão à disposição de todos os eleitores. A decisão de quem irá governar o Brasil está em nossas mãos, basta saber se teremos o discernimento e a ética suficiente para fazermos boas escolhas.   

“Ainda temos a esperança de que o sistema democrático das eleições brasileiras, ainda seja o melhor e mais inteligente caminho para a escolha de nossos governantes. O povo tem o governo que merece e que ele escolhe. Boas escolhas, resultam em bons governos, caso contrário, pagaremos um preço alto por nossa negligência eleitoral”.

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