Alienação política e econômica

Postado por: Adriano José da Silva

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O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga declarou que o que está errado na economia brasileira é o sistema e comparou os problemas a um quadro de infecção generalizada. "É uma septicemia, não é uma verruga que você precisa tirar. É grave mesmo", afirmou, em debate do qual participou, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com 604 executivos em São Paulo.

O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central é um dos principais colaboradores do presidenciável tucano Aécio Neves, disse que o quadro da economia brasileira pode ser resumido da seguinte forma: "O Brasil vive hoje um quadro de recessão e crescimento baixo". Segundo ele, do jeito que as coisas estão, não há jeito de o País crescer muito. "O País tem investido pouco e exibe um desempenho fraco na produtividade. Temos, portanto, um problema de oferta e a face mais visível disso é a infraestrutura. Há uma verdadeira crise de infraestrutura em todas as dimensões."

No país das maravilhas criados pelo Ministro Mantega, as declarações de Armínio Fraga, são considerados coisas de tucanos exterminadores de empregos, mas na prática o Ministro Mantega, tem razões para estar preocupado, pois ele é o condutor do desastre da economia brasileira, sob o ponto de vista da apreciação do câmbio, da oferta de crédito, da contabilidade criativa, do promete mas não cumpre, do que é bom sou eu e do que acontece de errado é culpa das elites e do mercado internacional.

A última peripécia de Mantega, foi defender o de R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para ajudar no esforço do governo para fechar as contas deste ano. “O Fundo Soberano é poupança primária, portanto pode ser utilizado”, afirmou a jornalistas, ao chegar à sede da pasta, em Brasília.

Ele lembrou que o fundo foi criado justamente com o intento de se usar os recursos quando precisasse. O saque do fundo foi informado no relatório de avaliação de receitas e despesas publicado pelo Ministério do Planejamento. 

O fundo soberano brasileiro começou com 14 bilhões de reais, e sua administração foi delegada à Secretaria do Tesouro Nacional, comanda por Arno Augustin.No futuro, esse fundo seria engordado com parte dos royalties pagos à União pela exploração das reservas do petróleo do pré-sal, como fazem Arábia Saudita, Emirados Árabes, Noruega e outros produtores.

Em 2010 a criatividade tomou conta do governo federal, que precisava de uma força para financiar a gigantesca capitalização da Petrobras, feita para levantar recursos para a exploração do pré-sal.

A equipe de Arno Augustin comprou nada menos que 12 bilhões de reais em ações da Petrobras. Pagou 29,65 reais pelas ações ordinárias e 26,30 reais pelas preferenciais e passou a ter 3,9% do capital da companhia. Além de não ter absolutamente nada a ver com os objetivos do fundo, esse investimento foi desastroso.

As ações da Petrobras perderam cerca de 40% de seu valor nos dois anos seguintes. Mas foi aí que surgiu o inexplicável. Arno e seus magos das finanças inverteram a lógica mais básica que rege investimentos e decidiram vender tudo.

Compraram na alta e venderam na baixa — e jogaram na lata do lixo 4,4 bilhões de reais. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido responsabilizado por isso. Vale lembrar que o Chile possui um Fundo Soberano e o mesmo foi utilizado para reconstruir o país após uma catástrofe climática.

O jornalista Josias de Souza fala que existem duas crises sobre a mesa: a econômica, ética ou política. Quanto à primeira, os candidatos revelam-se capazes de quase tudo, menos de esmiuçar seus planos. Quanto à segunda, sabe-se que nem o petróleo é mais nosso. Um delator esclareceu que já não existem coisas nossas. Só existe “Cosa Nostra”. Mas o manto o acordo de delação premiada priva a nação de saber quem são seus saqueadores.

Se a sucessão de 2014 fosse um parque de diversões, poder-se-ia dizer que começou no carrossel, encontra-se na montanha russa e vai terminar no trem-fantasma. A crise política é inevitável independente do vencedor na arena eleitoral de 2014.

Fonte: Revista Exame; Folha de São Paulo; Brasil247; Valor

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