A falsa democracia

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Estamos nos aproximando de mais uma eleição, onde através do nosso voto “democrático”, temos a sensação de que escolheremos livremente nossos representantes, sempre com a expectativa de que dias melhores virão. Embora nestas eleições as coisas estejam complicadas, pois de um modo geral, nos parece não haver saída para uma boa escolha, como bons brasileiros, sempre temos a esperança de que, se entrar o fulano, sair o ciclano, a vida será bem melhor. A grande incógnita que fica é a seguinte: Será que os eleitores brasileiros, estão preparados para escolherem de forma racional, justa e coerente os nossos representantes, sem se deixarem iludir por falsas promessas e por imagens construídas por bons marqueteiros?

Se você fizer uma pesquisa de opinião aos brasileiros, sobre a melhor forma de se eleger os nossos representantes políticos, de goleada vai ganhar a forma democrática, até porque, lutamos muito para termos eleições diretas no Brasil e termos o direito de votar em quem vai nos governar e dar os rumos de nossas vidas. Um bom governo, voltado para os interesses de um povo, onde as classes menos favorecidas sejam amparadas, inclusas em programas sociais, atendidas por serviços básicos estatais de segurança, educação, saúde e previdência social, são objetivos sonhados a cada eleição. Um governo que fomente a economia, a geração de emprego e renda. Que promova a moradia digna para todos e a dignidade humana para todos os brasileiros de um modo geral. Somos um País com uma riquíssima diversidade cultural e racial, com múltiplos segmentos corporativistas, voltados à uma gama de interesses pessoais, que acabam acirrando os ânimos das campanhas e consequentemente, as disputas eleitorais. Cada seguimento, seja ele por classe social, econômica, profissional, sexista, racial ou até mesmo gênero, acabam tendo suas preferências, que naturalmente promovem as disputas por espaço, decididas pelo voto, onde pelo princípio democrático, a maioria vence e os demais devem se conformar e aceitar a decisão. 

Durante minha faculdade de direito, tinha lá um professor de direito constitucional, que nos provocava durante as aulas e até nos deixava “nervosos”, por nossos ímpetos (revolucionários, socialistas e democráticos), ao dizer que a nossa democracia brasileira era uma farsa. Que na verdade quem escolhe os nossos representantes são os mesmos que detêm o poder há anos em nosso País: os coronéis da política, aqueles que possuem poder econômico, que dominam e manipulam os meios de comunicação... Aqueles que promovem campanhas milionárias, que contratam equipes profissionais de ponta, capazes de transformar qualquer “filhinho de papai”, que nunca deu um copo dàgua a um pobre, em um cidadão exemplar: competente, bondoso, honesto e solidário. Assistindo ao horário eleitoral, podemos observar claramente o que meu “contestado” professor falava. Começando pelo tempo de TV, que é por lei, desigual entre os candidatos. Aí vemos as desigualdades na elaboração dos programas e nas campanhas de um modo geral, onde os que detêm do poder econômico, levam uma vantagem sobre os demais, que chega a ser uma covardia. Outro fator determinante e decisivo das eleições, são as pesquisas. Pesquisas estas que começam bem antes do dia das eleições, sem nenhum compromisso com acertos estatístico, e, que acabam induzindo os eleitores a votarem nos candidatos que estão na frente das pesquisas. Este fenômeno pode ser constatado na prática hoje, usando como exemplo os candidatos a presidência da República e entre os candidatos a governador do estado do Rio Grande do Sul. Existe uma explicação lógica para este comportamento do eleitor: ninguém quer botar seu voto fora (apostar em cavalo que não vai ganhar as carreiras) ou se posicionar ao lado de quem vai perder as eleições.

O dia 7 de outubro está chegando e com ele o fim de calorosos debates entre candidatos e eleitores. Muitos amigos, familiares, colegas de trabalho e compartilhantes de redes sociais, que se ofenderam, se magoaram ao defenderem tão fervorosamente seus candidatos,  irão voltar as suas rotinas de trabalho e do dia a dia. As escolhas serão da maioria, onde mais uma vez, com raras exceções, teremos novamente aquelas velhas carinhas nos “representando”,  no legislativo e executivo nacional. A renovação será mínima e o mecanismo em pouco ou nada será mudado. “A grande esperança e expectativa do povo brasileiro é a de que um dia, o voto democrático de cidadãos conscientes, politizados e com senso crítico apurado, seja realmente a melhor forma de escolhermos bons representantes, em um ambiente igualitário e com regras justas de concorrência”.

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