O recado das urnas

Postado por: Clovis Oliboni Alves

Compartilhe

Chegamos ao final do 1º turno das eleições 2.018, com um recado claro vindo das urnas: os eleitores brasileiros se cansaram da “velha política do fisiologismo”, da falácia, das promessas impossíveis, das mentiras e das propostas sem fundamentação. Nestas eleições vários paradigmas foram quebrados, onde o tempo de TV e rádio, bem como as estruturas milionárias de campanha, não foram fatores determinantes para a conquista dos votos. Os eleitores brasileiros deram preferência para a renovação, para propostas fundamentadas, voltadas principalmente  para a segurança,  geração de emprego e renda.

O momento íntimo do voto é o momento do eleitor se manifestar, mostrar o seu descontentamento com o atual cenário político, com o descaso com a saúde, educação e segurança. Mostrar sua indignação por exemplo, com a falta de respeito do governo, que ignorou o resultado do plebiscito que disse não ao Estatuto do Desarmamento e mesmo assim foi implantado no Brasil. Demonstrar sua indignação com o mensalão, com o Petrolão e com os criminosos revelados na Operação Lava a Jato.  Em muitos estados a situação já foi definida, mas em outros as disputas serão acirradas, como por exemplo a de nosso estado (RS). A nível Federal, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, polarizam uma disputa que transcende os antigos preceitos ideológicos de direita e esquerda, em uma campanha nervosa e violenta, onde tanto candidatos como eleitores, andam com os nervos a flor da pele, intolerantes ao pensamento contrário. Do lado de Bolsonaro, a campanha segue com a bandeira da ética e da moral, da luta contra a corrupção e o velho modelo de se fazer política (política de coalizão com vários partidos e programas assistencialistas). O grande mote da campanha de Bolsonaro é o combate a violência, ao crime organizado e a defesa da família brasileira. Do lado de Fernando Haddad, tentam se agarrar a popularidade de Lula e aos seus bem sucedidos programas assistenciais, como por exemplo o Bolsa Família. O candidato Jair Bolsonaro, tem ao seu desfavor, sua autenticidade em falar e se posicionar sobre temas polêmicos, como a questão do homossexualismo, igualdade de gênero, aborto, maioridade penal e cotas em universidades... Já o candidato Fernando Haddad, trás o desgaste de quatro mandatos anteriores de seu partido (PT), a condenação e prisão de Lula e de várias lideranças ligadas ao PT, os escândalos de corrupção na Petrobrás, empréstimos sob suspeita do BNDES a países estrangeiros, além da crise política e econômica em países muito próximos do governo Lula, como por exemplo, a Venezuela.  

As urnas revelaram uma nova tendência na vontade popular, onde a renovação foi histórica, a maior já vista no Congresso nos últimos anos. Na Câmara Federal, dos 513 deputados, somente 251 conseguiram se reeleger, o que equivale a 48,9%. O PT continua com a maior bancada (56 deputados), seguido do partido do candidato Bolsonaro, o PSL com 52 cadeiras. Outro fator importante destas eleições, diz respeito a cláusula de barreiras que está valendo para estas eleições e que está deixando de fora do horário político e dos benefícios públicos de campanha, um total de 14 partidos. O fato é que o recado foi dado: os eleitores brasileiros não querem mais o velho jeito de se fazer política. Os recursos midiáticos de hoje, como por exemplo as redes sociais, estão sendo determinantes. O fator econômico, que em outras eleições, era visto como indispensável para se eleger, nesta eleição foi desmistificado, sendo um bom sinal, pois demonstra a mudança no perfil do eleitor. Os eleitores seguiram critérios com base na ficha limpa dos candidatos. Foram implacáveis com os candidatos envolvidos em esquemas de corrupção, deram oportunidades aos novos, primaram por propostas voltadas a segurança e a geração de emprego. Os novos tempos estão mais democráticos, transparentes e com acessibilidade imediata dos eleitores a informação. Não se tolera mais mentiras e Fake News. Os eleitores estão mais exigentes, não basta mais prometer, os candidatos precisam dizer como pretendem fazer.

Agora vamos ao 2º turno, onde ambos os candidatos terão mais tempo para proporem e exporem suas idéias, seus projetos. A disputa é polarizada e com projetos bem distintos. O Brasil está sob os olhares do Mundo. Os brasileiros estão eufóricos, com muita expectativa pelo resultado desta histórica e importante eleição. A esperança por dias melhores é latente, onde um verdadeiro clamor público, pede mudança na postura dos governantes, na forma de governar. Estamos esperançosos, porém atentos. Queremos um Brasil melhor, mais justo, igualitário, humanizado, com menos violência, e principalmente, dignidade aos cidadãos brasileiros.     

Leia Também Vêm aí momentos ainda mais difíceis para o funcionalismo do Estado Ministério da Saúde libera recursos para o Qualifar-SUS Alimentos ricos em Potássio Nossa Senhora da Conceição