Está semeando

Postado por: Adalíbio Barth

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Um cartaz colocado na entrada da igreja onde atendia, dizia assim: “Se me procurarem colhendo, me encontrarão semeando”. Impressionado com os dizeres desta frase, desafiei os fiéis presentes numa celebração a serem missionários, leigos ou religiosos, para semear a Palavra de Deus, onde havia mais necessidade.

No final da celebração, já na sacristia, uma jovem se apresentou dizendo:

- Eu gostaria de ser Irmã missionária. O que devo fazer?

Tomado de surpresa, mas pronto para ajudar, tomei um livro com os quatro Evangelhos, que estava em cima da mesa, e disse-lhe:

- Você já leu os quatro Evangelhos?

- Não! – foi a resposta curta e rápida.

- Então leia essas narrações da vida de Jesus e se concluir que vale à pena dar a vida por Ele, volte a falar com a gente, que eu a encaminho para uma casa de formação de Irmãs.

Os dias se passaram e o fato já não estava mais presente na minha memória. Um belo dia, estando na secretaria da casa paroquial, veio uma jovem, alegre e sorridente, alcançando-me um livro:

- Gostei! – exclamou ela com largo sorriso em seus lábios.

Num primeiro momento não entendi do que se tratava. Mas, ao reparar que era o livro dos Evangelhos, recordei-me da jovem que o levara para ler, ao final de uma celebração.

E depois de uma entrevista, certifiquei-me da reta intenção de seu projeto de vida e encaminhei-a para uma Congregação de Irmãs missionárias.

O tempo de formação passou. E hoje já são mais de trinta anos de vida consagrada. E se quiserem encontrá-la colhendo os frutos de sua missão, aposentada e descansando, vão encontrá-la ainda semeando a Palavra de Deus, em outros países, em terras de missão, como alegre missionária discípula de Jesus.

Para que alguém seja um missionário ou missionária da Igreja, às vezes basta um convite direto, um toque provocativo, um desafio em nome de Deus, que tudo pode mudar na vida de uma pessoa. O que falta de nossa parte, é desacomodar-se e participar da realização da vida de outra pessoa, ajudando a quem precisa. Muitas vezes é pouca coisa, mas o suficiente para mudar a história de uma família e de um lugar.

 

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