Observatório de Bioética: a vida em pauta

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Pensar a vida, a partir da perspectiva bioética, desde o seu início até o seu final. Este é o objetivo do Observatório de Bioética - uma rede multidisciplinar, envolvendo a Igreja Católica do Rio Grande do Sul e outras entidades educacionais – que será lançado nesta quarta-feira, na Casa de Retiros, em Passo Fundo. A iniciativa é do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)  e mais oito instituições parceiras de Ensino Superior. Pioneiro no país, o Observatório é a oportunidade de aproximar a Igreja Católica do campo da ciência e, também, é um convite para que a sociedade se envolva em discussões sobre o aborto, doenças crônicas, cuidados paliativos, eutanásia e outras temáticas que centram na vida em sua integralidade.

Mapeamento
O projeto nasceu a partir de uma provocação do papa Francisco: em sua Constituição Apostólica Veritatis Gaudim (A Alegria da Verdade), o pontífice retoma a importância das instituições de ensino e da Igreja se engajarem, em rede, para subsidiar a sociedade na busca de possíveis respostas frente aos desafios éticos da atualidade decorrentes dos avanços tecnológicos e das mudanças de paradigmas. Assim, o Observatório vai discutir as questões relacionadas à vida a partir das perspectivas científicas, filosóficas e teológicas em grupos de estudos interdisciplinares e multiprofissionais e, dessa forma, busca realizar um mapeamento da vulnerabilidade humana no Estado. O objetivo é, portanto, fomentar os temas da bioética com dados, coletados por meio de pesquisas científicas, que possam contribuir nos debates da sociedade, em promoção e defesa da vida.

Quatro polos
Dividido em quatro polos - Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria e Passo Fundo – o Observatório vai contemplar todas as dioceses e arquidioceses do Rio Grande do Sul e envolver, ainda, universidades católicas e não católicas, faculdades especializadas na área da saúde e hospitais. Segundo dom Ricardo Hoepers, bispo da Diocese de Rio Grande e idealizador do Observatório, a iniciativa possibilitará a ampliação das pesquisas que são realizadas atualmente, com temas relacionados à vida, ao promover novas demandas e novas metodologias. “Será que ao realizarmos pesquisas voltadas ao tema da vida esgotamos todas as possibilidades de abordagens?”, questiona o bispo que é Doutor em Bioética pela Academia Alfonsiana, de Roma.

Temas complexos
Nos três eixos que serão trabalhados pelo Observatório serão trabalhados temas complexos e que geram, nas comunidades e na sociedade, diferentes questões. Aborto, manipulação genética, esterilização, procriação responsável, experimentação com fetos, eugenia (início da vida); eutanásia, cuidados paliativos, terapia intensiva (final da vida); e direito à saúde, doenças crônicas, distribuição de recursos, conselhos de saúde, comitês de ética e a prevenção estão elencados para serem discutidos. O primeiro retorno sobre as pesquisas deve ocorrer em seis meses, no final do primeiro semestre de 2019, a partir dos estudos que já estão em andamento nas universidades.

Em Passo Fundo
Com o objetivo de estudar e discutir questões ligadas ao fim da vida, o polo de Passo Fundo envolve, além da Arquidiocese, a Faculdade Especializada na Área da Saúde do Rio Grande do Sul (Fasurgs), Hospital da Cidade (HC), Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Faculdade de Teologia e Ciências Humanas (Itepa Faculdades), Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Universidade de Passo Fundo (UPF) e Faculdade Meridional (Imed). Assim, questões como eutanásia, cuidados paliativos, suicídio assistido, distanásia, testamento biológico, doenças terminais e questões ligadas aos idosos serão responsabilidade deste polo.

Para o padre Ivanir Rampon, que é coordenador de pastoral e, também, vice-coordenador do Observatório, em Passo Fundo, a iniciativa vai proporcionar repensar sobre a dignidade ao final da vida. “Em nossa cidade, já temos estudos ligados ao envelhecimento humano e temos toda uma questão social envolvendo os idosos. Hoje, vivemos em uma cultura do descarte. Mas o ser humano possui uma dignidade que precisa ser preservada, respeitada e incentivada”, coloca. “Precisamos manter um nível ético ao tratar da vida humana; não podemos transformar o ser humano em um objeto de compra e venda. O ser humano é um ser ético e merece ser respeitado em sua totalidade”, conclui.

Lançamento do Observatório de Bioética – Rio Grande do Sul
07 de novembro | 19h
Casa de Retiros – Passo Fundo


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