Negritude como atitude política!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Estamos no mês da consciência negra que terá seu dia marcante no próximo dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, líder do movimento quilombola no século XVII. A referência a 20 de novembro como data significativa para os negros surgiu em reação a ao dia 13 de maio, que marca a data da abolição da escravidão, segundo a Lei Áurea assinada pela princesa Isabel.

No caso da assinatura da Lei Áurea uma pesquisa mais profunda indicará uma série de fatores como influenciadores, dos quais destacam-se as articulações do movimento negro organizado, a pressão do movimento abolicionista, pressões internacionais e, certamente, a exaustão do modelo econômico escravagista. Seria ilusão pensar que a assinatura da referida lei foi motivada pelo altruísmo da princesa. As tantas pressões tornaram a escravidão um projeto insustentável e não havia outro caminho senão a assinatura da referida lei, certamente um projeto incompleto, pois não deu aos negros libertos as mínimas condições sociais e econômicas de retomarem suas vidas em liberdade.  

Não é possível ignorar o fato histórico da escravidão. Durou quase três séculos e foi o sustentáculo econômico do Brasil na época colonial e imperial. Algumas manifestações negando este fenômeno são sinal ignorância quanto à história ou má fé. Se a escravidão deixou marcas na economia brasileira deixou também na nossa cultura. Estão presentes nas diferentes dimensões da vida brasileira.

O movimento negro acentua a data de 20 de novembro pelo fato de trazer presente a memória de Zumbi dos Palmares. É uma atitude política que visa reforçar o protagonismo do movimento negro contemporâneo.

O povo afro-brasileiro tem a bonita tarefa de recuperar esta história e deve fazer isso não de uma forma envergonhada, mas reconhecendo a luta dos ancestrais pela liberdade e a herança cultural deixada no Brasil. Recuperar esta história e não esquecer das nossas raízes negras é atitude política e reverência aos nossos antepassados que sofreram a chaga da escravidão. É também uma forma de lembrar que o Brasil não pode esquecer sua história. É a melhor atitude política em tempos de velamento da história.

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