O Fusca e o padre

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Hoje vou partilhar uma história muito interessante e engraçada que envolveu um Fusquinha e seu dono, um padre.

O padre era o feliz proprietário de um Fusquinha 1967 bege, original de ponta a ponta. Esse Fusca tinha aquela beleza rara da ação do tempo sobre a pintura, da ferrugem miúda nos para choques cromados, dos escapamentos flautinha desalinhados e falta da calota, perdida 1975 e nunca reposta. Lindo mesmo.

Durante muitos e muitos anos o Fusquinha 67 foi o companheiro fiel do padre. Missas no interior, batizados, casamentos, encomendações e enterros. Também era seu carro do dia a dia, para ir ao mercado ou até a casa de alguma família. Como todo bom Fusca, o 67 suportou os anos de trabalho contínuo com muita bravura. Envelheceu com saúde.

Porém, com o padre o tempo não foi tão complacente. A barriga cresceu, a visão diminuiu, os cabelos branquearam. Os joelhos reclamavam em altos brados do sobrepeso e a audição despediu-se lentamente até abandoná-lo quase que por completo. Mesmo assim, o padre e seu Fusquinha continuavam com sua missão/vocação, levando a Palavra de Deus e seus ensinamentos para todos.

Em uma feita, vinha lá nosso amigo padre e o Fusca, retornando de um casamento no interior. Noite grande de verão e, sob o clarão da lua cheia, o 67 cortava a estrada no seu tranco de sempre, bem abaixo do limite de velocidade. De repente, depois de uma curva, muitas luzes piscando, pessoas no meio da pista fazendo sinais, outros carros parados. Uma grande confusão. Demorou até o padre perceber que era uma barreira policial. Um guarda lhe fazia sinais e apitava insistentemente. “Mas o que será que esse polícia quer”? Acabou parando bem lá adiante.

O policial lhe seguiu sem muita pressa. “Boa noite. Documentos do carro e habilitação, por favor”, disse sem olhar para dentro do carro ao chegar na janela. Mas o padre compreendeu só até o “Boa noite”, por causa da surdez. Respondeu com outro “Boa noite” e permaneceu teso no volante. Percebendo que o motorista não fazia menção de lhe obedecer, o guarda manda que desça do carro. Novamente nosso amigo não compreende a mensagem e permanence imóvel. O policial, cada vez mais impaciente, ordena em alto e bom tom:

“Desça do carro. O senhor deve me acompanhar”.

Então o padre abriu um sorriso largo e respondeu contente: “Agora sim, compreendi o que o senhor quer ‘seu polícia’! Não tem problema! Estamos aqui para isso”.

Desceu do Fusquinha, puxou do bolso o aspersor de água benta e foi benzendo o policial, rezando para que “Deus Pai todo poderoso, abençoe o “seu polícia” e o livre de todos os perigos da profissão. Virgem Maria Santíssima, Rainha do céu,  tenha a família desse bom homem da lei sob a proteção do seu manto sagrado e que todos os anjos e santos intercedam por ele e por todos os seus colegas de farda. Amém”.

É que o padre, surdo, tinha entendido: “Desça do carro. O senhor deve me abençoar” em vez de “Desça do carro. O senhor deve me acompanhar”.

Atônito com a benção espontânea, o policial desistiu de ver os documentos do padre e do Fusquinha e só pediu para que ligasse os faróis antes de partir.

Também tem uma história verdadeira que tenha acontecido com um Fusca? Partilhe com a gente! Mande email para juliodemedeiro@gmail.com. Pode ser que sua história seja publicada aqui no blog! Grande abraço! 

 

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