Para superar a invisibilidade!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Nesta semana, com especial destaque para o dia 20 de novembro, acompanhamos uma série de manifestações pelo dia da consciência negra.  Por algum tempo o Brasil tentou colocar na invisibilidade a cultura afro-brasileira. Se até meados do século XIX os negros eram bem-vindos para serem aproveitados no trabalho escravo, após a abolição a receptividade mudou.

No período pós abolição interesse maior foi o branqueamento dos brasileiros e adotou-se o critério de quanto menos negros entrassem no país melhor. Entretanto os milhares de negros que chegaram ao Brasil já haviam deixado a sua marca neste solo. Não havia muito o que fazer. O acento da negritude já marcara a população brasileira.

A saída foi a invisibilidade social. O que é? Significa que a presença majoritária dos negros compondo a população brasileira não foi vista ou considerada pelas instituições sociais, exceto aquelas ligadas à repressão. Não custa lembrar que após a assinatura da Lei Áurea em 1888 não se previu nenhuma forma de reparação para a população negra antes escravizada. E o acesso aos serviços públicos sempre foi dificultado. Até hoje para os negros é mais difícil o acesso à educação, saúde, moradia, emprego digno, dentre outros direitos. As reivindicações são tratadas como caso de polícia e as denúncias de racismo ou preconceito são vistas como vitimismo de gente incompetente.

Não é estranho que a população negra esteja hoje em déficit em todos os níveis de inclusão social. Não foi culpa do destino. Foi uma invisibilidade social construída desde a escravidão. Não é estranho que algumas pessoas estejam se descobrindo enquanto negras. Outros vivem uma existência envergonhada. Não gostariam de ser negros.   Precisam de ajuda para assumir sua identidade. Viveram uma história de negação e de invisibilidade que deixou marcas profundas no corpo e na alma.

Diante deste quadro social são importantes as manifestações neste mês da consciência negra. Têm um caráter político de grande envergadura, seja na explicitação da riqueza cultural afro descendente, por vezes negligenciada ou tratada como algo menor; seja na denúncia do racismo e preconceito racial, causadores de sofrimento e morte; ou então na reivindicação dos direitos historicamente negados. Celebrar a consciência negra é atitude política de grande valor. É um passo importante para superar a invisibilidade social historicamente construída. Se ela foi construída, pode ser desconstruída. E será uma desconstrução extremamente proveitosa para todo o Brasil sobretudo para os 53% de afro-brasileiros.

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