Os carros populares de 30 anos atrás

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Em 1978, bem antes do termo “carro popular” estar na moda, os modelos mais atrativos ao bolso dos brasileiros eram 5: VW Brasília, GM Chevette, Fiat 147 e os VW Fuscas 1300L e 1600. Os compactos travavam uma concorrência acirrada para ocupar as ruas e as garagens da classe média e as comparações entre eles eram inevitáveis.

A primeira comparação sempre é quanto ao design. Nesse quesito os Fuscas eram sempre os últimos colocados, pois seu projeto praticamente idêntico ao original da década de 40 trazia elementos bastante questionáveis, como os para lamas destacados da carroceria e os estribos. Até o Brasília mostrava traços mais limpos e projeto mais atual. Chevette e 147 eram melhor recebidos pelo público, que  aprovou a ausência de frisos e adereços de gosto duvidoso.

Falando do conforto ao dirigir, as impressões dadas pelos pilotos da época relatam que nenhum entregava uma experiência tranquila. Os VW eram os únicos que tinham bancos dianteiros com ajuste de inclinação do encosto, mas este ajuste era ruim e não resolvia nada.

O painel de instrumentos, em nada parecido com os dos modernos “populares” atuais, era de uma pobreza gritante. Somente o Chevette trazia marcador da temperatura do motor. O 147 trazia uma luz espia que acendia se o motor esquentasse e os VW nunca souberam o que é isso. O Fiat recebeu outra luz espia que indicava quando o freio de mão estava acionado ou quando alguma outra falha ocorria.

A comparação dos porta malas foi um desastre. Os Fuscas nem se apresentaram para a briga com seus 141 litros. O Brasília com 287 litros também ficou pelo caminho. A surpresa ficou por conta do primeiro lugar. Desbancando o Chevette, que entregava 321 litros de capacidade de carga no porta malas, o Fiat 147 oferecia 352 litros, podendo chegar a 953 litros com os bancos traseiros rebatidos, quase alcançando a capacidade total de carga do Brasília, que se usasse o espaço em cima do motor totalizava 945 litros de carga.

A questão conforto deixou o Chevette em posição muito confortável. O conjunto dava mais espaço interno que os rivais, mas o carro da marca italiana quase igualava, mostrando mais uma vez o acerto do jovem projeto. Os VW receberam notas baixíssimas.

Ao analisar o consumo dos 5 modelos, mais uma vez os VW fizeram feio. O Brasília e o Fusca com motor 1600 ficaram nos últimos lugares, com média de 11 km/l. O Fusca com motor 1300, fazendo 12 km/l, se mostrou mais beberrão que o Chevette 1.4 que fez 12,2 km/l. Em primeiro lugar ficou o Fiat 147, com 13 km/l.

Nenhum dos modelos era o que se podia chamar de carro esportivo, mas mesmo assim o desempenho foi avaliado e adivinhem... nosso amigo Fusca 1300 teve as piores marcas. Na tomada de velocidade máxima não alcançou os 120 km/h, sendo que todos os outros superaram os 130 km/h. O Brasília obteve a melhor passagem, cravando 137 km/h.

Na hora de testar os freios, novamente o VW 1300 ficou em último. A 80 km/h precisou de 35 metros para parar totalmente, um metro a mais que o Brasília, penúltimo colocado. O Fusca 1600 precisou de 32 metros, o Chevette de 31 metros e o Fiat precisou de 30 metros para parar.

Na hora da arrancada de 0 a 100 km/h, não deu outra. O Fusca 1300 levou a eternidade de 34 segundos, contra os 17 segundos do mais rápido, o Fiat.

O resultado final apontou para o Fiat 147 como vencedor do desafio, seguido do Chevette, Brasília, Fusca 1600 e Fusca 1300. Vitória do projeto mais moderno de todos.

Mas, apesar de tudo isso, sabe qual o carro mais vendido no Brasil em 1978? Sim, o Fusca 1300. Sabe por quê? Simples! Apesar de ser um projeto antiquado, beberrão, com uma visível defasagem mecânica frente aos seus rivais e até com a evidente falta de espaço e conforto, permanecia como o mais barato, mais confiável e o mais durável de todos. Também contava com a maior rede de revendas e oficinas especializadas, além de ser considerado como moeda forte. Quem tinha um Fusca, tinha dinheiro na mão.

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