Passo Fundo tem pão de queijo com propriedades da erva-mate

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Pesquisadores da UPF que desenvolveram pão de queijo com as propriedades da erva-mate apresentaram o produto ao público em uma padaria

Quase dois anos após o início da pesquisa, o projeto “Erva-mate como componente funcional no desenvolvimento de processos e produtos alimentares”, desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade de Passo Fundo (PPGCTA/UPF) deu mais um importante passo. No final da tarde dessa quinta-feira, dia 29 de novembro, os pesquisadores apresentaram os pães de queijo de erva-mate para o consumidor. A ação foi realizada na padaria Cruzeiro, no centro da cidade.  

O projeto é coordenado pela professora Dra. Telma Elita Bertolin e tem como principal objetivo desenvolver produtos a partir do extrato da erva-mate que mantenham suas propriedades funcionais. Para isso, os pesquisadores escolheram um dos produtos mais conhecidos e característicos do Brasil, que é o pão de queijo. “Nós trabalhamos durante dois anos pensando na elaboração do extrato, estudando esse extrato de erva-mate e depois desenvolvendo as microcápsulas. Na sequência a gente analisou o potencial funcional dessas microcápsulas e agora estamos na fase do desenvolvimento de um produto, que no caso, é o pão de queijo”, explicou a professora. 

Durante a ação, os pesquisadores apresentaram três versões do pão de queijo: o tradicional, e dois com diferentes quantidades do extrato de erva-mate. O público pode experimentar, fazer a comparação entre os produtos e dar uma nota, dizendo ainda se compraria ou não o pão de queijo. Para a professora, essa é uma fase muito importante da pesquisa, porque sai da universidade e vai até o consumidor, que é o objetivo final do estudo. “Nós estamos no nosso ponto crucial do projeto que é, junto com a empresa, colocar para o consumidor fazer a sua aprovação. Estamos muito satisfeitos com isso, porque para o pesquisador, sair de dentro da universidade e realmente fazer com que a sua pesquisa chegue ao consumidor é muito importante. É difícil, mas a gente entende isso como sendo muito importante”, completou. 

Mais saudável
Apesar de ter o sabor muito semelhante ao tradicional, o pão de queijo de erva-mate ganha em qualidade. É que graças às microcápsulas desenvolvidas pelos pesquisadores, todas as propriedades funcionais da erva-mate são mantidas, fazendo dele um produto mais saudável. “Nós sabemos que a erva-mate tem várias propriedades antioxidantes que são benéficas para a saúde, é algo similar aos ácidos Ômega 3. Há vários estudos dizendo que esses compostos são interessantes para combater câncer, doenças degenerativas e vários outros tipos de doenças, então a gente quis justamente incrementar esse pão de queijo com propriedades melhores”, contou o técnico do projeto, Elionio Galvão Frota. 

De acordo com a professora Telma, a pesquisa consegue potencializar a garantia de que as propriedades funcionais sejam mantidas. “Se nós adicionarmos o extrato como tal em um produto ele pode não ser funcional no nosso organismo. A presença da microcápsula nos garante a manutenção das propriedades bioativas. Isso a gente já verificou em laboratório através de testes e análises bioquímicas e de análises tecnológicas, que as microcápsulas garantem no nosso aparelho digestório as propriedades bioativas e isso que é importante”, pontuou. 

Próximo passo
O próximo passo do projeto é, segundo a professora, encontrar um parceiro que ambicione desenvolver as microcápsulas em escala comercial, já que o laboratório não tem esse potencial. “O nosso potencial de laboratório para essa produção não garante, por exemplo, que uma padaria desenvolva o nosso pão de queijo, a gente precisa de um parceiro que desenvolva essa tecnologia e em escala maior e aí sim a gente pode dizer que o produto pode estar na rua”, disse. 

Aprovado, certamente, o produto está. “Achei saborosos, todos os sabores, eu preferi o C, não sei se é o que contém mais erva-mate ou não, mas ele é mais leve. Os três são gostosos, achei muito bom. Por mim, está aprovado”, garantiu a professora aposentada Dalva Pereira. 

Fotos: Camila Guedes

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