A Kombi mais luxuosa do Brasil

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Se você pensa que todas as Kombis eram como a do tio do transporte escolar ou como a do seu Manoel da padaria da esquina, está redondamente enganado. A Kombi já teve diversas versões produzidas pela própria VW no Brasil, como a Kombi seis portas, Kombi cabine dupla, Kombi movida a diesel, kombi pick up e a personagem de hoje, a Kombi mais luxuosa já produzida pela VW.

Provavelmente você nunca tenha visto uma, o que é bem normal, pois somente 1003 unidades foram comercializadas em apenas dois anos de produção. As que sobreviveram ao tempo estão com colecionadores ou foram descaracterizadas e condenadas ao trabalho do dia-a-dia como uma Kombi comum.

A história conta que depois de 10 anos com pouca ou nenhuma alteração no projeto da Kombi no Brasil, em 1997 a VW lançou o modelo mais luxuoso da velha senhora para brigar com a invasão das peruas importadas. Para combater os modelos da Asia Motors como as pitorescas Towner e Topic e a Besta da Kia, a VW apresentou a surpreendente Kombi Carat.

Externamente já era possível identificar que não era uma Kombi qualquer, pois contava com rodas com calotas integrais, para choques na cor da carroceria, retrovisores maiores, piscas frontais transparentes, aros dos faróis cromados, lanternas traseiras fumês e teto 11 cm mais alto que a Kombi comum. A tão desejada porta corrediça também estava presente. Ostentava ainda vibrantes cores exclusivas: nos modelos 1997/1998 Vermelho Clássico, Azul Atlanta e Verde Java, enquanto nos modelos 1998/1999 Branco Geada, Vermelho Clássico, Azul Netuno e Verde Saturno.

Mas era no interior que a Carat realmente surpreendia. Todos os bancos eram construídos com espuma injetada e cobertos de veludo cinza. Na frente, apenas dois bancos individuais com regulagem de inclinação do encosto e cintos de segurança retráteis de 3 pontos. A forração da cabine era em um carpete cinza e as portas dianteiras contavam com forração especial exclusiva. A passagem para o salão era facilitada pela ausência da parede atrás dos bancos dianteiros, aumentando ainda mais a sensação de espaço. No salão, mais carpete cinza no assoalho, forração especial para as laterais e porta corrediça e apenas 5 bancos, de acabamento idêntico aos dianteiros, mas sem regulagem do encosto e com cintos de segurança sub-abdominais. No porta-malas carpete total, inclusive para cobrir o pneu stepe e forração na porta traseira. Finalmente, o teto todo também era revestido, sendo que por conta desse revestimento completo, o nível de ruído interno foi em muito reduzido. As janelas da Carat também são exclusivas. Além de serem feitas com vidros verdes, três delas são corrediças, sendo que a única fixa é a traseira do lado da porta corrediça. Em Kombis Standard, apenas as janelas centrais são corrediças.

Mecanicamente não diferia em nada das irmãs comuns, equipada com o mesmo motor boxer a ar de 1600 cc a gasolina ou a álcool (não flex), câmbio de 4 marchas e freio a disco nas rodas dianteiras. Acompanhando a evolução de toda a linha Kombi, o modelo 1998 abandonou a dupla carburação para receber a tão esperada injeção eletrônica de combustível.

Contudo, os fãs da velha senhora perceberam que, embora as diferenças da Kombi Carat para a Standard fossem bem vindas, o preço praticado pela VW era muito caro frente ao que era entregue. Praticamente pelo mesmo preço se comprava uma perua asiática com mais lugares para passageiros e direção hidráulica. Com um pouco mais de investimento se conseguia algo com mais lugares, direção hidráulica, ar condicionado e movida a diesel. Assim, mesmo com uma proposta interessante e sendo a mais luxuosa das Kombis oferecidas pela VW do Brasil, a Carat teve vida curta e de 1999 até o final da produção somente modelos Standards foram montados.

Se na época do seu lançamento o preço já era elevado, hoje, tendo se tornado item de colecionador, uma Kombi Carat em perfeitas condições, além de dificílima de ser encontrada a venda, alcança cifras assustadoras, equiparando-se a famosa Kombi Last Edition.

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