É Natal

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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No Natal recordamos, em primeiro lugar, algo muito concreto e importante para os homens, algo essencial para a fé cristã, um acontecimento histórico. O evangelista Lucas assim escreve: “Eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (Lc 1, 10-11). O próprio evangelista se preocupa em situar o fato na história, no tempo do imperador César Augusto e enquanto Quirino era governador da Síria. Este acontecimento repercutiu na história e ilumina a vida de milhões de pessoas.

Numa audiência, Bento XVI dizia: “Pelo clima que o distingue, o Natal é uma festa universal. De fato, mesmo quem não se professa crente pode sentir nesta celebração cristã anual algo de extraordinário e de transcendente, algo de íntimo que fala ao coração. É a festa que canta o dom da vida. O nascimento de uma criança deveria ser sempre um acontecimento que traz alegria; o abraço de um recém-nascido suscita normalmente sentimentos de atenção e de cuidado, de emoção e de ternura”.

Lucas já registrava que o menino Jesus seria uma grande alegria para todo o povo, isto é para toda humanidade, para o universo. É fácil constatar a movimentação de grande parte da humanidade que se inspira neste acontecimento para festejar. São luzes, canções, turismo, presentes, viagens e, particularmente para os fiéis cristãos, solenes celebrações litúrgicas e orações.

A fonte da festa universal é o nascimento de uma criança. A criança em relação ao adulto é frágil em várias dimensões, mas a sua fragilidade tem grande poder. Faz o forte se dobrar e reclinar. No Natal é Deus que se fez criança para ficar próximo dos humanos a ponto de poder ser colocado no colo, permanecer no tempo. Na gruta de Belém, Deus se mostra no humilde menino para derrotar a soberba humana e a pretensão de grandeza. Lembra aos homens que são frágeis, que não são autossuficientes. Neste sentido, o Natal é uma oportunidade privilegiada para meditar sobre o valor e o sentido da vida.

Natal é a festa da luz. A luz tem um rico significado espiritual e ajuda a compreender o Natal. É um símbolo que recorda uma realidade que atinge o íntimo do homem: à luz do bem que vence o mal, da certeza que supera a dúvida, da segurança que vence a insegurança, do amor que supera o ódio. O Natal que faz pensar nesta luz interior, na luz divina que ilumina e dissipa recantos sem luz das pessoas e do mundo. O Salvador é saudado como a estrela que indica o caminho e guia os homens peregrinos por este mundo rumo ao porto seguro da vida. O caminho seguro da verdade, da justiça e do amor.

Como fato histórico e temporal o Natal está distante, mas na fé o acontecimento é vivido no “hoje (...) nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!”. O acontecimento ultrapassa os limites do espaço e do tempo e torna-se atual, presente. O seu efeito perdura, pois permeia e envolve a história. Para os cristãos a celebração do Natal renova a certeza de que Deus está realmente presente, acompanha a história e assume a vida humana do tempo presente. Deus que é eterno entrou nos limites do tempo e do espaço, para tornar possível “hoje” o encontro com Ele. Deus nos oferece “hoje”, agora, para mim, para cada um de nós, a possibilidade de O reconhecer e acolher, como fizeram os pastores de Belém, para que Ele nasça inclusive na nossa vida e nos renove, ilumine e transforme.

Faço votos de que Natal renove a sua vida e lhe traga alegrias, bênçãos e paz.

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