Dolorida memória

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Alfredo precisava de um segundo carro. Aproveitou para realizar seu sonho de criança, ter um fusca.

Alguns meses e uma pequena fortuna depois, o fusca rodava diariamente sem problemas. Alfredo era pura empolgação.

Um dia um motorista que dirigia e usava o celular ao mesmo tempo bateu na traseira do fusca e o jogou contra outro carro.  Um estrago enorme. Por sorte, somente danos materiais.

O reparo não ficou exatamente perfeito, mas o fusca voltou a rodar. Alfredo havia perdido aquela empolgação inicial, mas ainda se divertia dirigindo seu fusca.

Em um curto espaço de tempo um novo acidente, idêntico ao primeiro, tirou novamente o fusca de circulação. Dessa vez os estragos foram ainda maiores e o conserto do fusca foi recusado por vários mecânicos, que apontavam como muito difícil, demorada e cara a recuperação.

Alfredo perdeu a empolgação que lhe restava. O fusca jazia estuporado na garagem. Então um amigo propôs comprar o fusca do jeito que estava. 

A decisão entre vender ou consertar o fusca corroía Alfredo. O valor oferecido pelo amigo era baixo, mas serviria para dar como entrada em outro carro. 

E foi assim que Alfredo vendeu seu sonho e comprou outro carro, um carro comum, sem graça, financiado. Um plastimóvel como tantos outros. O fusca foi rebocado pelo amigo, que o recuperou e deu a ele o esplendor dos bons dias, o vendendo logo em seguida para um desconhecido, para nunca mais ser visto.

Hoje o fusca é apenas uma distante e  dolorida memória para Alfredo.

 

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