É preciso começar!

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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A Igreja celebra, neste domingo, a solenidade da “Epifania do Senhor”, popularmente conhecida como a “Visita dos Magos ou dos Reis Magos”. Portanto, a compreensão desta solenidade está relacionada ao Natal. “Epifania” significa “manifestação” do Menino Deus, Jesus, ao mundo. A um lugar discreto, Belém na Judeia, dirigem-se magos do Oriente.

A Epifania é a história de uma revelação que atravessa dois canais de comunicação: o cósmico, natural, racional e aquele sobrenatural e gratuito. No primeiro temos a “estrela” que serve de guia. No texto bíblico, os magos dizem: “vimos a sua estrela”. Para quem não estuda as estrelas e não fica horas e anos observando a sua movimentação, não percebe nada de diferente. A sua movimentação só diz algo para quem está procurando. Neste sentido, os magos representam a humanidade que busca, que pesquisa, que observa os fenômenos cósmicos e naturais e não fica na aparência. São exemplo de inconformidade e desejam ir além. O evangelista Mateus diz que saíram do Oriente, foram a Jerusalém onde continuaram a pesquisa junto aos estudiosos locais.

O segundo canal de comunicação é o sobrenatural e gratuito da parte de Deus. Este não se enquadra na lógica humana. Os magos, na sua busca, recebem uma indicação bíblica que em Belém deveria nascer Aquele que estavam procurando. A Palavra de Deus revela a alegria de Deus que deseja revelar-se a todos, pois não deseja ficar escondido ou restrito para alguns.

A Epifania é a história da procura da verdade. São etapas com momentos de obscuridade e tateantes e por outro lado têm a marca da peregrinação, da movimentação. Todos somos peregrinos da verdade e do absoluto, nunca seremos possuidores plenos dela. Não podemos perder a ânsia da pesquisa para não se acomodar no mínimo alcançado ou convencer-se de ser detentores da verdade. A epifania se faz apresentar como um itinerário de fé, uma realidade viva, um processo de luz na luz. O itinerário seguido pelos magos serve de mapa para a existência humana. Partem porque viram uma estrela e na medida em que caminham a luz foi aumentando, porque a luz exterior se torna luz interior. O caminho não é nem automático nem fácil. Quando a estrela desaparece os magos não têm resistência em perguntar e pedir auxílio o que revela humildade na busca.

Pode-se dizer que “quem procura encontra”. A procura dos magos resulta no encontro com uma pessoa, com o menino Jesus, deitado na manjedoura. Se encontrar alguma coisa ou chegar à conclusão de uma pesquisa já gera grande alegria, muito mais fascinante é encontrar alguém. O texto bíblico ressalta a atmosfera de grande alegria proveniente de quem está na manjedoura. A reação dos magos é dobrar os joelhos, adorar e ofertar presentes. Ajoelharam-se porque estavam diante do Deus Menino. Adoraram porque Deus merece o mais profundo reconhecimento humano. Presentearam porque presente se retribui com gratidão. Depois de terem encontrado quem buscavam os magos retornam para casa, retomam a vida. Não os isolou do mundo, nem os colocou numa situação de privilegiados, mas “retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho”.

A humanidade vive tempos de busca tateante e de obscuridade. Não faltam buscas e pessoas que trilham caminhos longe da luz e da verdade. Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo luterano e líder antinazista, compôs a seguinte oração para os companheiros presos na noite de Natal de 1943: “Tem escuridão em mim, em ti ao contrário tem luz; estou só, mas tu não me abandonas; não tenho coragem, mas tu me serves de ajuda; sou inquieto, mas em ti tem paz; tem amargura em mim, em ti paciência; não entendo os teus caminhos, mas tu sabes qual é a minha estrada".

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