Padre Paulo Farina: mais de 60 anos dedicados à Fundação Lucas Araújo

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Uma vida dedicada ao bem do próximo e da comunidade. É uma forma simples de resumir toda a caminhada do Padre Paulo Augusto Farina, falecido neste domingo (13). Superintendente Emérito da Fundação Lucas Araújo, o sacerdote esteve à frente da Entidade por mais de 60 anos e construiu uma história de amor, dedicação e doação no coração de centenas de pessoas. Em 2019 ele completaria 90 anos.

Ao longo de sua caminhada, acumulou funções e atuou em diversos setores ligados à assistência social. Foi assistente da Juventude Operária Católica, assistente espiritual da Sociedade São Vicente de Paulo, organizador da Paróquia São Cristóvão e diretor da Cáritas Diocesana. Foi também diretor fundador da Rádio Planalto, auxiliando na montagem da emissora em 1969 e sendo responsável pela primeira palavra proferida em suas ondas: Deus. 

Com o lema “Jesus, ser vosso e levar a todos vós”, dedicou sua vida aos outros. Como ele mesmo contava, foi um desafio assumir a Fundação tão jovem, mas foi ali, junto das crianças, adolescentes e, mais tarde, dos idosos, que ele colocou em prática seus ensinamentos, sua fé e sua vocação.

Aproximação com a religião e vivência da fé
Filho de Saul Irineu Farina e Helena Emília Farina, nasceu em Veranópolis em 1929. O início de sua vivência eclesial foi em 1950, quando ingressou no Seminário Central Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo. Lá estudou Filosofia e Teologia até 1956. Em 1970, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo (UPF), onde mais tarde, em 1975 também buscou seu licenciamento em Filosofia.

Segundo ele, o fato de a cidade em que morava ser pequena proporcionou a todos um contato mais próximo com a religião, visto que praticamente todas as famílias participavam ativamente das atividades paroquiais. Sua mãe era muito devota e seu pai, por ter sido prefeito entre os anos de 1930 a 1938, mantinha contato e amizade com os sacerdotes, bispos e seminaristas, levando as crianças a terem esse contato também. Em 1938, morando em Porto Alegre, manteve sua aproximação com a espiritualidade no Colégio Anchieta, com missas diárias onde passou a atuar como coroinha, auxiliando o Monsenhor João Maria Balen, que mais tarde, seria seu padrinho de ordenação.

Passou por provações de saúde e psicológicas que o fortaleceram em sua caminhada e era com carinho que recordava de todas as histórias. Devoto à Nossa Senhora Medianeira, buscou nela a luz para guiar seus passos e decisões.

Já à frente da Fundação e da Rádio Planalto, viu novos desafios surgirem e as atividades diárias ajudaram a superar todos. Entre as memórias mais marcantes da caminhada, lembrava da apresentação do programa “Momentos de Reflexão”, apresentado diariamente pela Rádio Planalto durante mais de 40 anos.
Em depoimento feito para o livro "Nossos Padres, nossos heróis", disse que julgava ser um privilégio poder exercer uma vocação, uma função espiritual em meio a um mundo tão conturbado. “Manter-se firme na missão nos dias de hoje é quase um heroísmo. Em meio a tantas coisas, um alguém recebe um toque especial, um chamado e precisa suportar as avalanches de dissipações que sucedem variadas e velozes. Valeu a pena nadar contra a correnteza”, destacou.

Um legado que jamais será esquecido
Hoje a Fundação Lucas Araújo atende mais de 300 pessoas diariamente, desde a criança até o idoso. O trabalho incansável é baseado no exemplo dado pelo Pe. Paulo e na sua dedicação pelo cuidado com o outro.

Mesmo depois de deixar a direção da Entidade, Pe. Paulo seguiu desempenhando atividades como a participação nos encontros e os momentos de espiritualidade com as crianças e idosos. Nesses momentos, principalmente nas homilias, deixava seu recado e a sua mensagem de amor e paz.

Para Luiz Costella, diretor da Fundação, Pe. Paulo não foi apenas um diretor, foi um amigo, uma pessoa que sempre se dedicou inteiramente e que deixa um legado de doação e amor. “Sentiremos muito a sua falta. Seu trabalho jamais será esquecido e faremos o possível para que os exemplos que ele deixou sejam seguidos. Fica a lembrança e o carinho por todo o amor que nos foi doado”, disse.

Fotos: Caroline Simor

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