Tão bom que é ruim ou tão ruim que é bom?

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Meu fusca não é o melhor fusca do mundo. Longe disso. Tem todos os problemas e defeitos possíveis e alguns impossíveis também. Durante um bom tempo lutei contra os problemas dele com todas as minhas forças (leia-se dinheiro e paciência).

A maioria dos defeitos eram facilmente resolvidos. Uma pecinha que quebrava por causa da idade, uma sujeira no carburador, um pneu rasgado, um cabo de acelerador partido, uma bateria vencida, uma porta que não abria, outra que não fechava, coisas do dia-a-dia.

Outros defeitos eram intermitentes, apareciam do nada e quase imediatamente sumiam para lugar nenhum. Mas também havia aqueles defeitos persistentes que seguem infernizando, independentemente do que se faça. Coisa crônica mesmo.

Mas a gente acostuma. A gente acostuma com coisas boas e com coisas ruins. Acabei me acostumando com os defeitos do meu fusca e rodei um bom tempo com ele “meia boca” por aí. Quando pifava não era nenhuma novidade e normalmente eu mesmo providenciava uma gambiarra para colocá-lo de volta na estrada.

Era tão ruim que era bom.

Então, depois de um bom tempo empregando forças em várias frentes (continue lendo dinheiro e paciência), ele começou a comportar-se de modo muito mais confiável. Rodando macio, sem tossir ou engasgar, sem solavancos, sem folga no volante, com freio em todas as rodas, funcionando todas as luzes, com bem menos grilos e barulhos estranhos. Não pifou mais no meio da rua. Enfim, parece que alinhou. Não perdeu todos os defeitos, claro, mas parece outro carro e, por isso, agora estou preocupado.

Está tão bom que é ruim.

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