Um fusca vai ser sempre um fusca

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Encontrei com um amigo e durante nosso papo ele contou-me uma proeza de quando era jovem.

Certa feita precisava de um carro e tinha pouco dinheiro. Comprou um fusca verde metálico, 1996, todo original. Típico carro de tiozão, segundo meu amigo.

Então, ele pôs mãos à obra. Trocou as lanternas originais por umas tunning. Tirou os piscas dos paralamas dianteiros e cortou o parachoque para instalar piscas do Brasília. Para isso teve que tirar as borrachas de ambos os parachoques. Os espelhos retrovisores externos ele mesmo trocou por um modelo esportivo, parecido com os do Maverick, só que de plástico cromado.

Mandou instalar bancos modernos de Celta. Colocou um jogo de rodas modernas de liga leve aro 17 calçadas com pneus perfil baixo.

Encontrou na internet aqueles painéis internos das portas em plástico rígido e aproveitou a troca para instalar vidros elétricos e películas prateadas, além de um volante novo bem pequeno, tapetes imitando alumínio e luzes vermelhas no painel de fundo branco. E claro, um som de respeito e um ventiladorzinho, daqueles que tem em cima do cobrador de ônibus.

A lista de modificações que meu amigo fez no fusca parecia interminável e enquanto ele falava, eu me contorcia em pensamentos.

Também mandou tirar todos os emblemas e adesivos e fechar as “orelhas” atrás dos vidros traseiros. Para melhorar a estabilidade, deu um grau na suspensão.

Contava tudo isso bem empolgado, enfatizando que tudo eram melhorias necessárias para poder usar o fusca com um mínimo de conforto e para dar um pouco de beleza para um carro tão desatualizado. Eu escutava atônito e só balançava a cabeça.

Se desfez de todas as peças originais. Algumas ficaram com o cara do som, outras com o da borracharia e outras menores colocou fora, no lixo.

Apesar de todas as modificações que havia feito, ele contou que sentia faltava de mais alguma coisa naquele fusca. Então descobriu que era possível, com alguma adaptação, mudar o motor. Assim, arrancou-lhe o coração aircooled e instalou um AP 1.8 do VW Santana, a álcool.

Mas usou pouco o novo fusca, todo reformado conforme seu gosto. É que começaram a aparecer alguns probleminhas, que ele não relatou quais foram e logo vendeu o carro.

Arrematou o causo com a máxima: “não importa o que tu faça, fusca vai ser sempre fusca”.

Eu, cada vez que lembro desse causo, fico me pergunto como é que esse cara comprou um Fusca 1996 Série Ouro e não apareceu ninguém  para o impedir de destruí-lo.

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