Julgamento do Caso Bernardo: testemunhas seguem sendo ouvidas

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Com um forte esquema de segurança, o Fórum de Três Passos sedia o julgamento dos quatro réus acusados pela morte de Bernardo Boldrini. O pai, Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini, Evandro e Edelvânia Wirganovicz respondem por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica (este, apenas Boldrini). O júri popular é conduzido pela juíza Sucilene Engler Werle, titular da 1ª Vara Judicial da cidade situada Noroeste do Rio Grande do Sul.

O primeiro dia de julgamento foi marcado pelo depoimento de duas testemunhas, as delegadas Caroline Bamberg Machado (presidente do inquérito) e Cristiane de Moura e Silva Braucks (delegada regional), que trabalharam no caso. Ambas foram arroladas pelos três promotores do Ministério Público (MP) e pelos advogados de defesa dos quatro réus. A sessão encerrou por volta das 21 horas, tendo mais de oito horas de duração, além do período em que ocorreu a escolha dos jurados – pela parte da manhã.

O júri popular terá prosseguimento na manhã desta terça-feira, 12. O início está previsto para às 9 horas. As demais testemunhas deverão ser ouvidas, assim como estima-se que também seja iniciado os depoimentos dos réus. A expectativa é que o julgamento tenha duração de uma semana.

 A primeira testemunha ouvida foi Caroline Bamberg Machado, presidente do inquérito e delegada titular de Três Passos na época do crime. Ela começou a ser ouvida por volta das 12h50min, sendo que seu depoimento, somado às respostas de questionamentos, se estendeu por cerca de quatro horas. Conforme ela, a opinião geral era de que Bernardo sofria com abandono e desafeto do pai. “Existem vários depoimentos neste sentido. Além de tudo isso, Bernardo era torturado psicologicamente”, observou.

Caroline revelou que inicialmente a Polícia Civil (PC) não imaginava que o menino pudesse estar morto e que, após interceptações telefônicas, as contradições apareceram. Afirmou também que a demora no registro do desaparecimento fez parte de estratégia dos réus para montar álibi. Leandro teria efetivamente procurado o filho dois dias depois.

“O pai procurou no domingo à noite, não encontrou o garoto. Foi dormir antes da meia-noite e trabalhou na manhã de segunda-feira, com o menino sumido há dois dias. Chamou atenção minha e de todos os policiais, a frieza e tranquilidade do Leandro com o desaparecimento do menino. Sugeriram cartazes para procurar e ele não quis”, considerou a delegada, dizendo ainda que, baseada em sua experiência, Leandro não teve conduta compatível a um pai que procura um filho.

Segunda testemunha
Segunda a testemunhar, a delegada regional, Cristiane de Moura, que participou da investigação do caso, começou explicando que a hipótese de assassinato ganhou força com os depoimentos dando conta do abandono e descaso do pai e da madrasta em relação a Bernardo. “A Edelvânia se sensibilizou após eu dizer que deveríamos, no mínimo, dar um enterro descente ao menino e me revelou como foi o crime”, disse Cristiane.
A delegada ainda se disse surpreendida ao questionar o pai de Bernardo. “Quando ouvi Leandro disse a ele que, pelas circunstâncias, dificilmente encontraria Bernardo com vida e ele falou ‘e a minha vida continua’”, frisou.
Ainda, segundo Cristiane, testemunhas diziam, que o menino era extremamente carente. “Ele pedia abraços. Foi ser coroinha de igreja, buscando a religião. As roupas eram extremamente velhas. No aniversário ele ia para as ruas e, questionado, dizia: estou procurando um bolinho”, falou a delegada. Ela foi liberada por volta das 21 horas.


Créditos: Leonardo Carilini (Jornal Alto Uruguai)

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