Índio quer terras, não apito!

Postado por: Dilerman Zanchet

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Os rumos que o Brasil segue indicam a probabilidade de guerra intestinal. O que é isso? Uma grande dor de barriga para o Exército Nacional medicar. Claro que com o aval da Presidência da República, Congresso Nacional, STF e sociedade organizada (ou nem tanto). Só falta a homologação no Congresso e os índios do Oiapoque ao Chuí se organizarem e declararem: Independência ou Morte.

Atualmente arcos e flechas estão sendo substituídos por pedágios, invasões a prédios públicos, agressões verbais, morais e físicas e, o que é pior, tudo sob o manto protetivo da Funai, respaldados numa Constituição (pior é ter que escrever com letra maiúscula) endossada pelo povo, em 1988.

Os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Isso já acontece no norte do país. Aqui houve algumas ações, mas tudo está em compasso de espera. A Funai troca diretor, troca isso, troca aquilo, mas se mantém irredutível: quer tirar a terra de quem a cultiva e entregar aos índios. Eles têm direito? Sim. Mas não tanto quanto querem. E por que querem? Ora: qualquer um sabe. Poucos têm coragem de afirmar ou fazer.

Quando se trata da questão indígena, a lei só vale para alguns. Os direitos humanos são afirmados e contrariados ao mesmo tempo, como se o Brasil fosse obrigado a conviver com a arbitrariedade deste tal de órgão que protege apenas alguns, de membros do Ministério Público Federal e de ONGs.

Imagine você, caro leitor, o que aconteceria se agricultores decidissem cobrar pedágio em uma rodovia? As forças policiais e governamentais entrariam em ação e imediatamente a rodovia seria liberada. Os autores do crime, responsabilizados e punidos. Em Tenharim, no Amazonas, desde 2006, os indígenas cobram pedágio dos cidadãos que a utilizam. O valor pode chegar a R$ 100,00. As pessoas são oneradas simplesmente porque alguns indígenas assim decidiram. Acostumaram-se com a impunidade e com o acobertamento dado pela Funai. Criaram uma enorme tensão social. O governo fez alguma coisa além de enviar a Polícia Federal e o Exército para “apaziguar os ânimos?”. Não.

Até quando a Funai vai continuar atuando como um Estado dentro do Estado, fazendo arbitrariamente suas próprias leis como se não devesse prestar contas a ninguém? O Ministro da Justiça tem se comportado como se sua pasta fosse a da Injustiça. Que Brasil é este? 

O trecho a seguir descrevo de um texto do paulista Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana e especialista em política internacional, publicado na Folha de São Paulo, em 11.01.2014:

“...Na Amazônia, redefinir-se como indígena tornou-se uma estratégia destinada a obter segurança fundiária, cotas preferenciais e privilégios extraordinários (como o de cobrar pedágios em rodovias federais). Os caboclos amazônicos, que são meio-índios, reagem declarando-se inimigos dos índios. Aí estão as raízes políticas da "guerra de Humaitá".

Quem é índio? Telma Tenharim, mulher do cacique cuja morte acendeu a faísca das violências em Humaitá, "uma mulher miúda com poucos traços indígenas", é filha do primeiro branco que teria entrado em contato com o grupo, nos anos 1940. Segundo a clássica definição de Darcy Ribeiro, índio é o indivíduo "reconhecido como membro por uma comunidade pré-colombiana que se identifica etnicamente diversa da nacional" e, ainda, "considerado indígena pela população brasileira com quem está em contato". A política indígena oficial, capturada por ONGs racialistas e entidades missionárias, é uma pedagogia de "reetinização" que se nutre das carências sociais e fabrica o conflito étnico.

"Em nenhum momento a gente falou que meu pai foi assassinado. A gente viu que ele caiu da moto." As palavras de Gilvan, filho do cacique morto, confirmam as conclusões da perícia policial, mas contrastam com o texto do coordenador regional da Funai, Ivã Bocchini, postado no blog do órgão, que sugeria a hipótese de assassinato. O cacique "era como um chefe de Estado", escreveu Bocchini, exigindo que "seja apontada a verdadeira causa da morte" e celebrando "a luta do povo Tenharim".

Um "chefe de Estado" com o arco retesado e a flecha apontada para o avião dos intrusos "brancos": nessa imagem falsa, construída pelas políticas estatais de raça, encontram-se as sementes do ódio entre caboclos-índios e índios-caboclos...”.

O escritor disse tudo. Aliás, não disse. Faltou afirmar que esta terra que Pedro Álvares Cabral descobriu, muita gente está enterrando. Afinal, índio não quer mais apito. Índio quer terra.... para arrendar.

 

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