Um racha de idosos

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Depois do último causo, aquele do meu amigo que teve que pedir uma ajudinha com sua Brasília para um Policial, lembramos de outros causos e esse de hoje é muito bom.

Embora já estivéssemos nos anos 2000, alguns amigos meus possuíam carros bem antigos. E esses carros eram pau para toda obra: faculdade, trabalho, lazer, viagem, namoro, pescaria, enfim, tudo o que se fosse fazer, era com o mesmo carro.

Meu amigo com sua Brasília 1978 encontrou numa noite qualquer com outro amigo nosso, com seu Corcel 1975.  Depois do rolê noturno, antes de rumar para casa, uma diversão sadia.

Alinhados no cruzamento das duas principais avenidas da cidade, Brasília branca e Corcel azul ao abrir do sinal arrancaram num racha alucinante. O álcool no tanque dos pilotos era muito mais forte que a gasolina no tanque dos carros, pois a sensação atrás do volante era indescritível, embora a velocidade fosse ridícula. Os dois idosos foram exigidos ao máximo, sem dó. A gritaria dos motores contrastava com o desempenho patético dos dois carros velhos, tornando o espetáculo até um pouco deprimente.

Deu Brasília em primeiro na chegada. Empurrada pelo motor 1.6 com dois carburadores, deixou o Corcel, puxado por um motor 1.4 de carburação simples, bem longe.

Mas o sacrifício para a vitória cobrou seu preço. 

Já na garagem de casa, luzes apagadas, fechando o portão, um barulho estranho na Brasília. Acende as luzes e um rio de óleo está correndo no piso, vindo do motor. Bloco rachado.

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