Pe. Eduardo presente!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Encerrou-se na cidade de Tapera o julgamento e a condenação do assassino confesso do Pe Eduardo Pegoraro. O crime aconteceu em 22 de maio de 2015 e foi marcado por uma atitude de extrema irracionalidade deixando a população da cidade abalada. Pe Eduardo não teve chance alguma de defesa e possivelmente o crime foi premeditado, ou seja, planejado devido às desconfianças do réu quanto a esposa que contribuía na formação dos seminaristas sob a responsabilidade do Pe Eduardo na cidade de Tapera.

Uma análise mais profunda, sem deixar de ser parcial, liga o crime a uma tradição machista no pais, segundo a qual a esposa é quase propriedade do marido e a forma de tratar as desavenças familiares se embasa na violência. Compreendemos a relação matrimonial como um projeto comum marcado pela liberdade, amor conjugal e confiança mútua. Estas atitudes são cultivadas no cotidiano a partir do diálogo. E lembremos que diálogo é o caminho da palavra, da troca de informações, de impressões, pontos de vista. Compreende a capacidade de falar racionalmente, mas também de escutar. Nisto lembramos as palavras do apostolo Paulo: nenhuma palavra perniciosa deve sair de sua boca, mas palavras com capacidade de edificar e fazer o bem aos ouvintes (EF 4,29).

Outro ponto a ser refletido é a ilusão de que resolução dos conflitos, sejam quais forem as suas dimensões compreende também atitudes violentas. E a violência passa pela palavra, mas também pelo gesto. Por vezes um gesto violento complementa a destruição que a palavra violenta já começou. Lembremos a proposição da Campanha da Fraternidade de 2018 tratando do tema a fraternidade e a superação da violência. Trazia uma análise sobre as nossas violências, mas também propunha caminhos de superação.  Em uma sociedade que tem seguidamente flertado com a violência e que não compreende o direito de ser e pensar diferente a retomada das propostas desta campanha seria algo de muita utilidade.

Sobre a morte do Pe Eduardo a justiça humana e prevista no código penal foi feita. A privação da liberdade é o caminho legal para quem comete crimes e se constitui ameaça à sociedade. Não reparará o mal feito. Não devolverá a vida do presbítero, mas tem um sentido educativo, tendo presente que a vida humana é um bem precioso e está acima de tudo.

Roguemos que este irmão alcance a graça do arrependimento e se faça um defensor e protetor da vida e não uma ameaça aos seus semelhantes.

 Que a misericórdia de Deus o alcance.

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