Uma noite para esquecer

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Sábado à noite, passando por um famoso bailão, salta à janela do carona um homem que, cambaleando, fala com hálito de cerveja que tem um ferido para levar para o hospital.

Tantos carros passando, foi atacar logo uma Brasília.

Antes de terminar os protestos de que não levaria ninguém a lugar nenhum, o moribundo já estava no banco de trás, gemendo, e o bêbado no banco da frente, mandando tocar para o hospital.

No meio do caminho o ferido parou de gemer. O bêbado pediu mais pressa.

Na porta do hospital o bêbado chama os seguranças. Correm com a maca, levam o ferido que não mostra reação. No banco uma poça enorme de sangue. No teto, no carpete, no painel, nos vidros. Um sangue escuro, morto.

O bêbado sumiu rua a fora. O ferido sumiu hospital adentro.

Em casa, domingo de manhã enquanto tentava livrar-se de todo aquele sangue, o rádio da Brasília noticiava sobre o tiroteio no bailão e a morte de um homem, deixado já sem vida na emergência do hospital por desconhecidos a em uma Brasília branca.

 Todos os envolvidos seriam investigados e nenhuma hipótese descartada.

Todo aquele sangue nos bancos, no painel, no teto, nos vidros, no carpete. Um projétil no assoalho. Todos seriam investigados. Nenhuma hipótese seria descartada.

Tantos carros passando, foi atacar logo uma Brasília.

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