TransDroga, roubos e tiros num passado recente

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Se não me fosse contado por quem foi, amigo de fé e gente muito séria, eu certamente diria que era uma baita mentira, mas o causo que compartilho hoje é verídico e muito interessante.
Nos idos dos anos em que a gasolina era barata, esse amigo trabalhava com transportes com sua Kombi. Transportava fumo, defensivo agrícola, remédios, querosene, alimentos e bebidas. O nome da empresa não poderia ser mais adequado para um Kombi que carregava tudo isso: TransDroga. É uma piada pronta.
Naqueles tempos os fretes iam de vento em popa e a Kombi da TransDroga corria mais que notícia ruim, sempre pelas estradas de chão do interior do Rio Grande, chegando nas mais isoladas bibocas, de dia, de noite, com chuva ou no sol a pino. Claro que isso tinha um custo. Em 100 mil quilômetros quebrou quatro motores, resultado do excesso de peso e da pressa no trecho. Mas em toda a trajetória da TransDroga, muitas Kombis poderiam ter sido montadas com as peças que foram usadas para consertar a original.
Mas o causo em si é que retornando de uma longa viagem de entregas, com algum lugar sobrando na Kombi, nosso amigo sentiu o olho direito lhe puxando para as viçosas espigas de milho verde na beira da estrada. Era dia claro, mas o lugar isolado favorecia o delito e a lembrança do milho verde cozido com manteiga derretida foi mais forte que a precaução. Parou a Kombi e avançou a pé pelo milharal, dando de braçada nas espigas. Quando estava com os braços cheios escutou um tiro e imediatamente um zunido perto da orelha. E mais um tiro, dois, três! Foi o tempo de correr de volta para a Kombi, dar partida e sair a mil. Enquanto escapava ainda escutou mais dois ou três tiros.
Já longe do tiroteio, chegou num armazém para tomar uma água e se refazer do susto. Enquanto bebia o dono do armazém lhe perguntou se estava indo “de lá prá cá” ou “de cá prá lá”, pois se estivesse indo “de cá prá lá”, era melhor dar a volta, porque o dono do milharal havia ficado biruta e passava o dia escondido no mato, dando tiro em quem parasse para roubar milho.

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