Preguiçoso por opção própria

Postado por: Adalíbio Barth

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Quem conhecia o “Bentinho”, como era chamado carinhosamente o Cônego Bento, sabe muito bem que ele provinha de uma estirpe que tinha a cultura do trabalho. No dicionário de sua vida, não existia preguiça ou acomodação. Por isso gostava de recordar a história de seu conterrâneo sentado na praça pública.

Uma pessoa muito conhecida na cidade permanecia sempre com seu violão, a cantarolar sentado num banco da praça, tendo à sua frente um velho chapéu para as ofertas. Aparentando saúde e disposição esperava, dessa maneira muito cômoda, conseguir uns trocados para sua vida tranquila de cada dia. Mas trabalho braçal, nem pensar.

Um belo dia, o cônego fez-lhe uma pergunta, que obteve resposta rápida.

- Se algum dia, por acaso, assim como que por um descuido, mas sem querer mesmo, lhe bater um pouquinho de vontade de trabalhar, o que o senhor vai fazer?

- Não deixo! Eu reajo! – respondeu, prontamente, o descansado cantador da vida.

Há pessoas que chegam ao extremo e não têm mais nenhuma iniciativa ou motivação para o trabalho. Há um total desânimo. Nem percebem mais que o mundo necessita de seus braços para ser aperfeiçoado. Estão no fundo do poço. A história pessoal de cada um, nessa situação, revela uma sucessão de fracassos familiares e pessoais que torna difícil refazer toda uma vida. Mas a caridade pode fazer triunfar, vencendo toda lógica humana.


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