Festa da partilha

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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Na quinta-feira passada a Igreja Católica celebrou a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, também conhecida como Corpus Christi. É uma grande solenidade que visa exaltar litúrgica e publicamente o Sacramento da Eucaristia. Grandes manifestações artísticas, em especial tapetes coloridos, indicaram para a sua importância e o seu valor. A Eucaristia foi instituída por Jesus Cristo às vésperas da Páscoa, como testamento. Pediu que os seus seguidores realizassem a mesma ação em sua memória em todos os tempos.

O texto bíblico que orienta a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, neste ano, é do evangelho segundo São Lucas 9,11-17 que narra a multiplicação dos pães. Relata o texto que chegando ao final do dia, os apóstolos constataram que estavam longe do povoado e as pessoas não tinham levado alimentos. Sugerem que Jesus interrompa a pregação e despeça a multidão. Recebem como reposta: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Como não tinham nada em mãos, vão à procura de quem trouxe algo que pudesse ser posto em comum. O pouco encontrado foi apresentado. Jesus abençoou, partiu e deu aos discípulos para distribuir e, o que sobrou foi recolhido.

O Sacramento da Eucaristia é marcado pela partilha. Os seres humanos têm necessidades básicas que necessitam ser satisfeitas para terem vida digna. Uma das necessidades fundamentais é a educação. Desenvolver a inteligência, conhecer para optar livremente. Ao modo de Jesus, que era incansável em ensinar, na primeira parte da missa, acontece a partilha da Palavra. Jesus queria seguidores que aceitassem conscientemente seus ensinamentos. Inclusive os chama de amigos e não servos, pois o amigo sabe o que se passa. Por isso as leituras dos textos bíblicos revelam os mistérios divinos, propõe caminhos, abrem os olhos e aquecem o coração.

Segue-se à partilha da palavra a partilha do pão. No modo de ver dos apóstolos era mais prudente despedir a multidão e cada um encontrar um meio para satisfazer a sua fome de pão. Orientados por Jesus Cristo os discípulos percebem que a fome de pão necessita ser saciada comunitariamente. A eucaristia aponta o que deve acontecer na vida cotidiana do cristão dispondo-o a partilhar.

Na hora das oferendas da celebração eucarística são levamos ao altar pão e vinho. Na invocação do Espírito Santo se pede para que sejam santificadas para se tornarem para nós o Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Temos aqui um ato de comunhão com Deus e de partilha e compromisso com os irmãos, sobretudo os mais pobres que necessitam tanto de pão como dos direitos fundamentais. A eucaristia se torna a fonte da moral e da ética cristã. O pão e o vinho, isto é, os frutos do trabalho humano oferecidos no altar do Senhor retornam a quem os ofereceu. Deus alimenta o doador dos dons. O alimento volta transformado, pois agora é o corpo e sangue de Cristo. Consumido gera vida, comunhão, fraternidade e partilha.

Não faltam dados estatísticos que apontam para concentração de bens e renda nas mãos de poucas pessoas. Este modelo socioeconômico, obrigatoriamente, marginaliza uma multidão de pessoas gerando uma série de consequências para a sua dignidade e qualidade de vida. Partindo do princípio da igualdade de dignidade de todos os seres humanos, nada mais justo desejar que todos vivam dignamente. Os apelos para sensibilizar para a solidariedade, para partilha precisam ser recorrentes na Igreja e na sociedade.

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