Sindicatos: imprescindíveis neste momento histórico. Por que?

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Vivemos num momento histórico em que cada um de nós é incentivado a viver uma vida competitiva, a buscar o seu espaço social através de méritos pessoais e individuais. A vida coletiva, a ajuda comunitária, a solidariedade, infelizmente, são valores que estão perdendo força.

Neste contexto de mundo individualizado e de redução de direitos e garantias trabalhistas, nos desafiamos a avaliar o papel contemporâneo dos sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras, uma vez que são, essencialmente, organizações de defesa de interesses coletivos.

Há uma crescente afirmação de que os sindicatos estariam perdendo seu poder de representação dos trabalhadores e trabalhadoras. Será?

Há uma campanha deliberada para destruir ou acabar com o poder de representação dos sindicatos feita por governos e setores produtivos da sociedade. Há um ataque deliberado de acabar com as conquistas e direitos dos trabalhadores, inclusive, com possibilidade de acabar com a Justiça do Trabalho no Brasil. Por que?

Neste contexto de ataques e incertezas, os próprios trabalhadores estão sendo jogados contra quem os representa. Quem só tem a oferecer sua mão de obra, via de regra, deveria apoiar as lutas do sindicalismo. Foi através das lutas sindicais e populares que a cidadania virou realidade. Através de muitas lutas, paralisações, greves que foram alcançados direitos e garantias de proteção à vida dos trabalhadores e trabalhadoras.



Um pouco da história do sindicalismo brasileiro


Para entender a realidade dos sindicatos e sua função de representação, ouvimos respeitosamente alguns dos sujeitos (lideranças sindicais) que estão à frente da luta diária de representar os diferentes setores do mundo do trabalho urbano: professores, funcionários de instituições de ensino, funcionários públicos, metalúrgicos, dentre outros, em nossa cidade Passo Fundo, RS.

As pessoas que se dispõem a lutar pelos interesses coletivos de uma categoria ou dos interesses dos trabalhadores em geral não podem ser atacadas, julgadas e expostas ao linchamento público, como o fazem parte da mídia local e brasileira, como também alguns dos dirigentes patronais irresponsáveis deste país.

Fizemos a eles e elas 3 perguntas: a) Existe crise de representatividade em nossos sindicatos? b) Como seu sindicato trabalha a representatividade de seus associados? Por que, na sua visão, neste momento histórico, os sindicatos estão sendo tão durante atacados?

Este material que por ora publicamos tem por foco de compreensão nossa cidade Passo Fundo, imaginando situações próximas Brasil afora.

O que nossa cidade tem, em particular, é que, historicamente, as organizações sindicais e populares foram duramente combatidas, num contexto de influências culturais que pregam o trabalho subordinado às regras do sistema, de uma parcela significativa da imprensa local avessa ao reconhecimento do papel dos sindicatos e das lutas sociais e de uma cultura que se forjou provinciana e conservadora.  As forças produtivas, culturais e políticas de nossa cidade não reconhecem o protagonismo e a importância da grande massa de trabalhadores e trabalhadoras que constroem a riqueza e não permitem o exercício livre e soberano das organizações destes.



As origens do sindicalismo no Brasil
Foto Marli Schaule, CPERS

A dirigente sindical e mulher sindicalista MARLI SCHAULE, professora aposentada da rede estadual e municipal de Passo Fundo, representante estadual dos aposentados do CPERS/Sindicato, Coordenação Regional do MML (Movimento Mulheres em Luta), perguntada sobre crise de representatividade, respondeu que o CPERS/Sindicato, maior sindicato do RS, um dos maiores da América Latina, tem mantido 60% da sua base associada e que o 7º Núcleo de Passo Fundo é um dos núcleos mais mobilizados e atuantes nas lutas sociais.

“O entendimento que temos são organizações coorporativas e políticas que sofrem interferência da conjuntura, por serem instrumentos de mobilização e reivindicação dos trabalhadores, reconhecidos pelo senso comum como representações de esquerda, conjunturalmente colocados na vala comum da corrupção, do atraso.

No entanto, essas falsas ideologias não se sustentam frente aos ataques dos governos e patrões, em particular, no nosso caso, estamos sem reajuste de salário há 5 anos, com parcelamento e escalonamento de salários, sem concurso público, entre outros ataques, fazendo com que a categoria tenha construído grandes mobilizações, assembleias lotadas, o que indica que não há crise de representatividade no CPERS/sindicato. Nos demais sindicatos, entendemos isso também, tanto que no último período aumentou o número de greves, tanto que foram realizadas em 2017 e 2019 as duas maiores Greves Gerais da história do nosso país”.

Marli pondera ainda que existe um ataque dos governos e da burguesia, na arrecadação financeira dos sindicatos, seja pelo corte do repasse em folha, bem como o corte do desconto do imposto sindical, o que debilita a estrutura e organização dos sindicatos, mas não sua representatividade.

Para a professora, “uma observação é que o desemprego, a informalidade e a precarização das relações de trabalho como a terceirização, eleva o número de trabalhadores desorganizados, necessitando os sindicatos terem políticas para inclusão dos mesmos”.

Marli Schaule destaca ainda que o CPERS/Sindicato é reconhecido como um dos sindicatos mais democráticos, o que garante o seu alto índice de representatividade, além da Direção Central, detém 42 núcleos distribuídos pelo RS. Suas decisões são tomadas em Assembleia Geral e em Conselhos de Representantes encaminhadas pelas Direções regionais ao Conselho Geral e a instância máxima a Assembleia Geral.

“Temos, ainda, a realização de um congresso a cada 2 anos, eleições diretas para direção central e núcleos à cada 3 anos e eleição proporcional ao Conselho Geral, a formação de vários coletivos temáticos (jovens, educação, aposentados, LGBT+, mulheres, racial, funcionários e contratados). Somos independentes de partidos, governos e patrões, já que o sindicato é um organismo de frente única de trabalhadores, que pensam diferente mas que compartilham a mesma condição. Entre nossos associados se organizam vários agrupamentos sindicais, partidários e sociais, ampliando a representatividade de forma diversificada”.

De forma didática e enfática, defende que o CPERS/Sindicato trabalha a representatividade com filiações, democracia nas decisões, com proporcionalidade, com organização nos locais de trabalho a independência e autonomia dos governos e partidos.

Falando sobre os ataques a que os sindicatos vem sendo submetidos, Marli Schaule alerta que “temos uma situação que muitos sindicatos deixaram ser autônomos e independentes frente aos governos e se envolveram em corrupção, em organizações mafiosas e os famosos pelegos, o que levou à várias rupturas de centrais sindicais e um processo de reorganização, essa é uma situação que os trabalhadores estão autonomamente solucionando”.

Por outro lado, a professora e liderança sindical dos professores pondera: “temos a crise econômica que mundialmente se instalou, provocou alguns fenômenos como a imigração e a polarização política, com crescimento dos setores de direita e ataques às organizações dos trabalhadores.

No Brasil há muitos anos vem se acentuando a crise, desencadeada em 2015, onde a burguesia aplica um plano drástico de retirada de direitos dos trabalhadores, como a reforma trabalhista, terceirização e a reforma da previdência. Para garantir aplicação dos seus planos precisa atacar e destruir as organizações dos trabalhadores (sindicatos, movimentos e partidos) estruturalmente, com o corte da arrecadação e desregulamentação e ideologicamente, como se todos fossem corruptos, vagabundos, comunistas etc…. 

Finaliza sua participação nesta matéria afirmando entendimento deque “o ataque aos sindicatos é uma necessidade do capital de tirar drasticamente os direitos dos trabalhadores, sendo um processo unificado, global e ideológico”.

Conheça mais do Cpers aqui.

Sidinei Cruz Sobrinho

Para Sidinei Cruz Sobrinho, representante do SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica), a chamada crise de representatividade pode estar associada à crise de identidade e consciência de classe.

“O desconhecimento da história das conquistas sindicais diante do aparelho opressor da ideologia dominante faz com que muitos aceitem a condição alienante e, infelizmente, confundem qual é a verdadeira representação a ser feita. Porém, não há que se negar o fato de que algumas linhas sindicais também tenham se perdido na tecitura da representação a ser feita, prejudicando e promovendo certa generalização ofensiva à representatividade necessária e urgente.

O SINASEFE tem feito, em nível nacional a representatividade adequada. Procura articular as bases e dialogar com as diversas instâncias, sempre pautando a defesa coerente e consistente em prol dos direitos da classe representada e da dignidade humana inerente aos direitos fundamentais e sociais.

Conheça mais: http://www.sinasefeifsul.org.br/

Miguel, SiNDIURB

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano de Passo Fundo (SINDIURB), Miguel Valdir dos Santos Silva, acredita que não existe crise de representatividade, ao menos não na base do seu sindicato. Mas pondera que existem pessoas que tentam se aproveitar de algumas situações, que justamente fragilizam a luta dos trabalhadores por seus direitos.

Miguel acrescenta: “trabalhamos a representatividade dos nossos associados levando a eles a transparência e a verdade”.

O dirigente finaliza sua participação na matéria dizendo que “os sindicatos estão sendo atacados porque a classe patronal quer enfraquecer o movimento sindical para eles saírem fortalecidos. Os trabalhadores ficarão à mercê, sendo a parte mais fraca na luta por seus direitos”.

Alexson, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Passo Fundo

 Para o dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Passo Fundo, Alexson José da Silva, “a representatividade é sempre resultado da Incidência Política do Sindicato. Sempre que um Sindicato deixa de cumprir seu papel na disputa de Classe, os trabalhadores vivenciam este distanciamento instantaneamente.

O trabalhador não é bobo, ele sente se o Sindicato efetivamente atende a sua finalidade e, simultaneamente, reage a este comportamento institucional, seja o reconhecendo como ferramenta da Categoria ou o colocando na condição de estranho a sua relação de trabalho.

A representatividade é dependente da atuação dos Sindicatos e a conjuntura atual criou alguns entraves pois o Estado tem incidido sobre as organizações dos trabalhadores. Outro fator que tem dado “pano pra manga” é a despolitização dos trabalhadores. Atualmente há uma confusão entre Politica Sindical e Política Partidária, distinção que o trabalhador que não possui lucidez na concepção da disputa de Classe não faz facilmente. O resultado disso vivenciamos nas reformas, por exemplo, onde trabalhadores defenderam reformas contra seus próprios interesses enquanto Classe Trabalhadora”.

O dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos alega ainda que “o Sindicato só pode representar quem o reconhece e o respeita como instrumento coletivo, como Ferramenta da Classe Trabalhadora.

Os Metalúrgicos não são uma ilha e também temos um conjunto de trabalhadores na base que não se sentem representados. Estes casos todos tem um aspecto em comum, é uma categoria de trabalhadores que podemos chamar de “Não Classe Trabalhadora”, são os trabalhadores que não aceitam ser representado por uma Entidade Sindical, eles se consideram outro perfil de trabalhadores, porém tem a mesma jornada, o mesmo salário, o mesmo patrão, a mesma condição precária mas propagam e defendem uma liberdade que não gozam. Tem seus salários reajustados pela negociação do Sindicato, as mesmas e somente as condições negociadas pelo Sindicato mas “ideologicamente” são livres do Sindicato. Não participam, não contribuem e não aceitam o Sindicato como seu representante, inclusive combatem a atuação Sindical. Esta “Não Classe Trabalhadora” tem um perfil especifico e tem falado muito em representatividade, sobretudo fala sobre um novo Sindicato, este seria aliado a interesses da empresa, um Sindicato ameno, dócil, em resumo é o que no meio sindical conhecemos como o Sindicato “Pelego”.

O dirigente apresenta ainda dados de pesquisa que o Sindicato dos Metalúrgicos fez em sua última Campanha Salarial, onde foram qualificados o perfil dos trabalhadores. Para Alexson,“o resultado é um extrato da despolitização de uma parcela da Classe Trabalhadora. Em números, consultados 239 trabalhadores, o resultado é estarrecedor. 33,9% destes trabalhadores não sabem a diferença entre uma CCT, Acordo Coletivo ou Dissidio, e 43,5% responderam errado, ou seja, destes apenas 22,6% possuíam algum conhecimento daquilo que estavam se opondo.62,3% afirma que a oposição a Contribuição Negocial em favor do Sindicato é Ideológica e apenas 28,9% afirma ser por motivos Trabalhistas, 6,3% a Empresa Orientou e 2,5% afirma Fui incentivado por alguém.

Estes números alertam para uma parcela de trabalhadores que não aceita ser representado, um perfil de trabalhadores quem se considera “Não Classe Trabalhadora” e portanto não quer ser representado. A “Não Classe Trabalhadora” é melhor que nós Sindicalizados, mas apanha com o mesmo “chicote”.

Por outro lado, os Sindicatos tem a tarefa de conscientizar a Classe Trabalhadora para organizar-se e enfrentar a Selvageria do Capitalismo. Se a Política Sindical responder a este desafio, então representará sua Categoria, do contrário não.  Como dito acima, acreditamos que a representatividade é sempre resultado da Incidência Política do Sindicato e para cumprir nosso papel e atuamos de forma Planejada por meio de 3 Programas; 1 – Direitos dos Trabalhadores Metalúrgicos, 2 – Incidência Política, 3 – Fortalecimento Institucional.

O Planejamento qualifica a capacidade de resposta do Sindicato perante sua Categoria e na nossa entidade tem conquistado avanços significativos, seja na qualificação dos processos internos quanto na capacidade de apropriar dos sofrimentos da categoria e transformar em pautas perante a Patronal para enfrentar os desmandos cometidos perante nossa Categoria. As Pautas incluem os trabalhadores de modo que os mesmo conseguem se enxergarem na atuação do Sindicato, ou seja, estarem representados.

Em pesquisa para a elaboração da Pauta da CCT 2019/20 coletamos um conjunto de informações de Associados e não associados que nos dão a dimensão da representatividade atual do nosso Sindicato. Os trabalhadores na sua grande maioria sabem o valor da Ferramenta Sindicato e estão dispostos a se somar na construção de saídas para a atual conjuntura.

Consultados 268 trabalhadores, sendo 41% sindicalizados e 59% não sindicalizados:
42,5% conhecem a CCT da Categoria;
75,4% gostaria de ter mais informações sobre o Sindicato;
55,2% afirma que a sua remuneração não é suficiente para o sustento da familiar;
41% afirma que a CCT negociada pelo Sindicato é “muito importante” e outros 37,7% define como importante;
75,7% afirma que se o Sindicato negociar vantagens pela Categoria, contribuirá financeiramente com o Sindicato.


Alexson destaca que estes números servem para ilustrar a posição do Sindicato dos Metalúrgicos com relação a representatividade e que não há como medir representatividade de uma Entidade Sindical com a régua de quem historicamente nos combate. Afirma que “a defesa de direitos do Trabalhador nunca esteve tão atual para a Classe Trabalhadora e os Sindicatos tem um papel determinante e os trabalhadores desejam maior presença dos Sindicatos, desejam estarem nas pautas, valorizam e estão dispostos viabilizar economicamente as entidades que os representa. Mesmo com os ataques deliberados do Estado aos trabalhadores, a pauta está atualizada e as entidades tem em mãos a oportunidade de adaptar os Sindicatos ao modelo atual de trabalho”.

“Quem muito fala em não representatividade Sindical é também quem vive de patrocínios patronais o que por si só compromete a análise”.

“A Direção dos Metalúrgicos tem por princípio ouvir os trabalhadores e sobre o tema da representatividade ficamos com a informação que nossa categoria nos fornece e não com a suposta opinião dita, por terceiros cujos interesses não são os mesmos que a Classe Trabalhadora”.

Na sua visão, neste momento histórico, “os trabalhadores são duramente atacados e o Sindicato é a ferramenta que os representa e apenas está do mesmo lado. Não há ataque a Sindicato sem que o interesse maior seja fragilizar o trabalhador. O Sindicato não é o objetivo destas ações deliberadas. A sacanagem que eles dizem do Sindicato não é o que eles querem fazer com o Sindicato, é o que eles querem fazer com o Peão! O Sindicato tem vitalidade para retomar a Democracia, para revisar as relações de Trabalho, de segurar a Reforma da Previdência, de assegurar o curso da Democracia e por estes motivos eles devem ser combatidos.

Você já viu um trabalhador combater seu Sindicato? O trabalhador apenas não se reconhece como Sindicalizado, ele não combate a Organização. É comum vermos ensaios patronais como vimos no caso da Havan onde, sem a presença da gestão da Empresa, não há manifestação, ou seja, não é manifestação da posição dos Trabalhadores mas, sim, a manifestação forçada pela vontade do Patrão. Quem ataca Sindicato não são os trabalhadores, são interesses pontuais alheios aos interesses da Classe Trabalhadora”.

Finaliza sua participação em nossa matéria dizendo ser inconcebível uma opinião patronal (dos patrões) balizar a discussão dos trabalhadores. Que a crítica patronal ou dos meios de comunicação soam como “elogios para seguirmos combatendo este perfil empresarial inconsequente, desrespeitoso e explorador que se consolidou no País”. Afirma, por fim que “quem Pauta o Sindicato é a sua base e não terceiros. Quem quiser incidir nos rumos das Entidades Sindicais e da Classe Trabalhadora deve estar Sindicalizado e incidir junto aos seus pares”.

Conheça mais: http://www.ftmrs.org.br/

Everson da Luz Lopes, presidente do Simpasso

O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Passo Fundo (SIMPASSO), Éverson da Luz Lopes, generosamente, pondera que há sim, uma certa crise de representatividade, “que passa muito pela falta de informações e até mesmo o discurso falso que é emitido pela mídia e detentores de cargos públicos que defendem o governo atual. Com a Reforma Trabalhista foi tirado muito poder de representatividade dos sindicatos e colocadas nossas entidades contra os trabalhadores. Mas aos poucos vamos esclarecendo esses fatos junto aos servidores municipais e nossa representatividade se tornará ainda mais forte”.


Sobre como o SIMPASSO trabalha a questão da representação, afirma: “temos grande orgulho em dizer que somos um dos Sindicatos mais representativos do estado, servindo de modelo para muitos outros que atuam na representação de servidores públicos municipais. Temos uma história de conquistas e diante de tantos obstáculos apresentados pelas Reformas, temos nos fortalecido ainda mais com o apoio dos nossos associados.

Hoje a maioria dos servidores municipais é sócia do SIMPASSO e isso mantém nossa estrutura de representatividade forte. É claro que temos que nos reinventar a cada dia e sem dúvidas os desafios são muito grandes daqui para frente.
Temos mais de cem conveniados que prestam atendimento ao nosso associado, atendimentos de odontologia e jurídico gratuitos, sedes sociais e muito envolvimento e contato direito com o associado utilizando as redes sociais. Isso nos torna muito fortes”.

Sobre os ataques que os sindicatos vem recebendo neste momento histórico, Daluz, como é conhecido, afirma que “existe um esforço muito grande do governo federal, dos empresários e lideranças políticas em enfraquecer os Sindicatos. Sem nós, o trabalhador fica desamparado, fica sem força de luta e reivindicação. É claro, sabemos que entre os tantos Sindicatos espalhados pelo país temos casos de entidades que não possuem como principal objetivo a defesa do trabalhador e sim interesses próprios ou até mesmo de bandeiras partidárias. Mas o trabalhador sabe me distinguir o Sindicato que faz a representatividade, que oferece serviços, que oferece convênios e que merece ser incentivado.

Finaliza sua participação na matéria afirmando que “os Sindicatos antigamente serviam apenas para a atividade fim, de ir pra rua, de protestar, fazer greves e tentar avançar apenas no grito. A realidade mudou um pouco e precisamos entender o contexto que vive o nosso país e sermos inteligentes para driblar todas as adversidades que estão apresentando para o nosso movimento”.
Conheça mais: http://simpasso.org.br/

Tarciel Silva, Sindicato dos Comerciários

Para o dirigente do Sindicato dos Comerciários, Tarciel Silva“os sindicatos ainda representam a luta não só contra este governo, mas contra qualquer outro governo. Quando os sindicatos tem representatividade, acabam dialogando com suas categorias e com o resto da população, sendo uma espécie de escola de formação da cidadania”.

“Num país que é dirigido por um tipo de governo como o nosso, onde a educação já não é prioridade, quanto mais povo sem educação e quanto mais trabalhador sem saber os seus direitos, mais fácil é de explorar. E isto é sistemático”.

Conheça mais em: http://www.secpf.com.br/site/

Regina Costa dos Santos

Na avaliação de Regina Costa dos Santos, dirigente do recém-criado CMP Sindicato (Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo), “o que existe é uma série de ataques a classe trabalhadora, associado a várias iniciativas de enfraquecimento das organizações sindicais, onde estas entidades representativas da classe trabalhadora estão enfrentando dificuldades, assim como os trabalhadores, que diante de tantos ataques necessitam estar se reafirmando e se reinventando, mais uma vez”.

Para Regina, ao longo da história da classe trabalhadora, entidades sindicais sempre estiveram em queda de braço com sistema patronal, onde sempre fomos atacados, no entanto, atualmente está sendo proliferado uma descrença social, para tirar a credibilidade do movimento dos trabalhadores(as), pois quanto mais o trabalhador(a) estiver sozinho, mais a empresa/patrão se fortalece.

Como representante sindical dos professores municipais, diz que comprovar que seu Sindicato não vive nenhuma crise de representação sindical, na nossa categoria dos professores municipais e enumera números: criamos o sindicato em 2015; temos uma diretoria colegiada de 28 dirigentes, destes 25 estão no seu local de trabalho; temos mais de 1.200 professores filiados, só neste primeiro trimestre, deste ano, filiamos mais de 100 professores; temos no conselho de representantes sindicais, mais de 50 escolas representadas; temos vários ferramentas de formação e contato com professores da rede.

A dirigente destaca no entanto que, “com isso, não estou dizendo que está tudo bem, enfrentamos dificuldades estruturais que atingem diretamente nossa categoria como reforma da previdência, congelamento dos gastos na educação, sucateamento das condições de trabalho, ataques ao plano de carreira…, associado a ameaças de corte de ponto nas mobilização, no entanto reconhecemos que a atual conjuntura é totalmente desfavorável para classe trabalhadora, mas como entidade representativa do magistério, não podemos nos dar o luxo de desistir, encaramos como desafios coletivos, no que diz respeito a formar novas lideranças, repensar e reinventar nossas ações para chegar a massa da classe trabalhadora”.

Em sua última participação para esta matéria no site, sentencia“os sindicatos e suas lideranças sempre foram atacados e é diante das dificuldades que ressurgimos e com mais força, afinal é o que fundamenta nossa  existência, se o trabalhador vem tendo seus direitos atacados,  o sindicato como porta-voz da classe trabalhadora, tanto no âmbito individual como no coletivo, cabe a estas entidades balizar as desigualdades do mundo do trabalho, mesmo que bombardeados!”.

Seu sindicato está em crise?  A categoria também está!  Sindicato forte é reflexo de avanços para o trabalhador(a)!

Conheça mais: http://cmpsindicato.com.br/


O que dizem estudiosos do assunto

O tema do Sindicalismo brasileiro e crise de representatividade já vem sendo estudado há um bom tempo. No entanto, cabe destacar, que as contradições do exercício do poder democrático e representativo, também experimentado nos sindicatos, também está em crise em todo o Brasil. As instituições brasileiras, organizadas dentro do estopo democrático, modo geral, estão sendo colocadas em xeque em suas atuações.

Com o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, por exemplo, muitos sindicatos passaram a ter dificuldades no enfrentamento cotidiano de suas lutas.  Professor Laércio Fernandes dos Santos, em uma das suas publicações no site, defende que “com a lei impedindo que se arrecade, os sindicatos ficarão enfraquecidos e, por consequência, a classe trabalhadora não pressiona para que o governo preze pela classe que mais necessita. Por outro lado, fica fácil para o governo garantir os grandes investimentos para as empresas privadas, na grande maioria, aquelas que os elegeram e ajudam a se manter no poder esmagando a grande massa que depende do suporte do Estado. Com isso, as questões básicas e sociais do cidadão que paga o imposto ficam de lado, com a desculpa que não há dinheiro. Exemplo claro que estamos vivenciando no país e no estado”.

Leia mais aqui.


Em entrevista ao site da FNTTAA, o economista José Dari Krein, professor do Instituto de Economia da Unicamp, ao ser perguntado sobre o que explica a crise de representatividade do movimento sindical, respondeu entre outras coisas que “a crise do sindicalismo tem a ver com o processo de globalização que favoreceu muito as empresas, que puderam pressionar os sindicatos que não aceitassem suas regras com o argumento de fazer investimento em outros países.

O movimento sindical também perdeu base com a ampliação de setores como o de serviços, de categorias muito fragmentadas. Há também uma visão hegemônica no mundo de crise de representatividade. Você tem que entender o enfraquecimento nesse processo. Mas há muitos indicadores que mostram que o movimento sindical se fortaleceu. O número de greves e de filiados voltou a crescer. O resultado das negociações salariais foram favoráveis às categorias nos últimos anos. Então o sindicalismo brasileiro, em relação ao mundo, se fragilizou menos. É verdade que o movimento sindical, como todas as instituições políticas, perderam credibilidade nos últimos anos”.

Na sua opinião, “isso tem a ver com essas mudanças mais gerais que foram acontecendo no mercado de trabalho, na economia, em sua organização, e também há essa tese de você fortalecer essa perspectiva de jogar sobre o indivíduo a responsabilidade sobre sua inserção no mercado de trabalho. Como vou melhorar minha condição de vida? Vou apostar na ação coletiva ou na minha qualificação para competir com o outro? Então o que prevaleceu foi essa competição entre os indivíduos, num quadro de maior precariedade, e isso anda contra a ação coletiva, porque o sindicato tem que apostar na solidariedade”.

O sociólogo e professor da IMED de Passo Fundo, Jandir Pauli, em sua generosa colaboração para esta matéria, manifestou-se apresentando sua breve reflexão.

“Entendo que o sindicalismo passa por uma crise de representatividade, à esteira da crise da representatividade política do país. A democracia representativa está em uma encruzilhada importante, mobilizando atores em diferentes perspectivas.

De uma lado, as dificuldades típicas de democracias em desenvolvimento, exigindo um esforço na consolidação de instituições capazes de gerir os interesses econômicos que atravessam o poder político. De outro, movimentos que colocam em cheque toda construção desde a reabertura democrática. Sem dúvida, a constituição de 1988, gentilmente chamada de Constituição Cidadã foi um marco desta construção e trouxe para a arena política a pluralidade da representatividade social brasileira. Nela estão importantes avanços, inclusive em torno do direito ao trabalho decente e da proteção social do emprego.

O que estamos acompanhando na atualidade é, de um lado uma crescente concentração de renda e aumento da desigualdade, onde os direitos são percebidos como “benefícios exagerados” e que a proteção trabalhista protege a uma casta de proletários, diante de um Estado cada vez mais ausente da proteção social. 

Este argumento não se mantém, especialmente se considerados os últimos eventos em torno do tema. A reforma trabalhista surgiu com a proposta de desonerar a produção e, consequentemente, aumentar os empregos. Mas não foi isto que aconteceu. Ao contrário, a informalidade segue aumentando e a flexibilidade das relações de trabalho tem se aproximado mais da precarização.

Neste ponto, sindicatos de trabalhadores poderiam ser importantes porta-vozes e interlocutores representativos. Mas não são. Um dos motivos é sua baixa capacidade de ressignificar o momento social atual – marcado por uma desinstitucionalização das causas sociais –  e as mudanças no mundo do trabalho, incluindo uma revisão dos seus repertórios de ação, gestão democrática e construção de estratégias consonantes com os interesses dos atuais e potenciais associados.

Esta fragilidade faz com que sejam duramente atacados pela lide mais forte da relação entre capital e trabalho, a classe empresarial. Essa fragilidade faz com que sua defesa não encontre ecos na sociedade plural.

Dito de outra forma, os sindicatos de trabalhadores têm uma causa nobre e sua representatividade é imprescindível diante da desigualdade econômica social e política da relação entre empresários e trabalhadores. Entretanto, precisam recuperar sua essência a partir de uma revisão da estratégia que dialogue com as mudanças sociais e do mundo do trabalho”.


Fonte: www.neipies.com

Fotos: Divulgação


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