Explorando a boa fé

Postado por: Adalíbio Barth

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Um vendedor de mel ficou sabendo da viagem do cônego Bento à Europa, e que voltaria somente no final do mês.

Como era homem organizado, antes de viajar, deixou ao Pe. Pedro, seu auxiliar, todo o dinheiro previsto para os gastos. Era o necessário para pagar as contas de luz, água, telefone, e mais um pagamento a ser feito no Banco. Partiu tranquilo para a longa viagem.

Todavia, suas lições de moral, com os vendedores de mel, ainda não tinham sido assimiladas pelos súditos. Já no dia em que viajou, logo veio um aviso da portaria.

- Pe. Pedro, tem gente que deseja falar com o senhor.

E lá se foi o prestigiado auxiliar, agora transformado na autoridade máxima, atender o primeiro cliente.

- Estou trazendo o mel que o cônego Bento encomendou - dizia um senhor de meia idade, baixo, mas de estatura forte.

- Não sei de nada! - respondeu-lhe Pe. Pedro. Ele viajou e não me falou nada desta encomenda!

E ficou pensando que devia ter-se esquecido. E se eu não ficar com este mel, vai ficar muito chateado por ter magoado um amigo dele. Não posso desagradá-lo, já na primeira vez que me confiou a responsabilidade da casa.

Feitos os cálculos, resultava em grande soma de dinheiro. Mas o que se vai fazer? A vida sempre tem seus imprevistos - continuava raciocinando.

E lá se foi o Pe. Pedro buscar o dinheiro, acertar as contas das duas latas de mel e pedir desculpas pelo acontecido.

No final do mês, quando voltou cônego Bento, contou-lhe que dera tudo certo. Só que havia colocado dinheiro do seu bolso para pagar as contas, pois se havia esquecido de deixar dinheiro para pagar o mel que encomendara.

A fisionomia do cônego passou por todas as cores, entendendo tratar-se de mais uma história de um fraudulento vendedor de mel.

Verificou o produto guardado na despensa, e constatou que, além de ser artificial, até a metade da lata havia areia. A parte de cima era mel. Todavia, falso.

“Os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz.” Os ladrões e falsificadores andam às soltas humilhando e debochando dos honestos. Sempre se procura acreditar na palavra das pessoas quando vem pedir ajuda para isso ou aquilo. Tudo o que se faz com reta intenção, tem recompensa divina. Mas as pessoas falsas atrapalham a prática da solidariedade. 

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