Frio de renguear fusca

Postado por: Júlio César de Medeiro

Compartilhe

Depois de alguns dias de inverno com temperaturas amenas, finalmente o ar gelado deu as caras. Imediatamente o povo aqui do sul começou com a ladainha de todos os anos, reclamando da temperatura como se nunca houvesse feito frio.

Entre os reclamões de plantão temos o seu Tadeu, um alemão velho, fusqueiro das antigas, que não poupa os ouvidos dos outros quando o assunto é o frio. Mas hoje ele chegou com um ditado novo. Segundo ele, hoje está frio de renguear fusca.

O ditado original aqui pelos pampas é frio de renguear cusco, que significa estar frio o suficiente para fazer o cão ficar rengo, manco, coxo, puxando a patinha.

Curioso, acabei perguntando do porque da adaptação do ditado, imaginando que seria algo sobre o arrefecimento a ar e não à água, mas seu Tadeu tinha outra explicação.

Depois de ajeitar-se bem na cadeira, jogando o corpanzil delgado para trás, explanou com a autoridade que só o branco dos cabelos confere:

- Quando o fusca foi inventado, meu filho, só existia gasolina pura. E tu sabes que gasolina não congela. Hoje em dia não há fusca que não fique rengo nesse frio com essa gasolina batizada com 50% de álcool e 50% de água.

É. Faz sentido. Nessa proporção de aditivos da gasolina do seu Tadeu, tanto faz ser refrigerado à água ou a ar. Até carro flex deve ficar rengo.

Leia Também Curiosidades sobre o Fusca Como fica o Congresso após a aprovação da Reforma da Previdência? Com sapato ou sem sapato O bom samaritano