Para superar a fome no Brasil!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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É sabido que o Brasil ainda passa por uma grave crise econômica. A crise atinge os diferentes setores da economia e os diferentes segmentos sociais. Todavia a população de baixa renda sofre os impactos de forma mais direta porque, dentre outros fatores, já tem um histórico de vulnerabilidade que se acentua em situações de crise.

Diante do quadro de crise, que já perdura a alguns anos, a situação de pobreza e miséria tende a aumentar. Alguns indicadores já retratam este quadro. Acontece que o aumento da pobreza explicita a sua face mais perniciosa e dolorida, a fome. Pobreza, miséria e fome estão sempre juntas. A superação de uma implica na superação da outra.

Nestes tempos de crise econômica dizer que o problema da fome está resolvido é minimamente desconhecimento da realidade brasileira. O aumento da produção de alimentos por si só não resolve o problema da fome. A problemática não produtiva, mas de acesso aos alimentos.

Temos uma história bonita de mobilizações para a superação da fome.  Nos anos 80 do século passado a Pastoral da Criança, liderada por Zilda Arns, revolucionou a forma de tratar a desnutrição infantil através da “multimistura” e do acompanhamento pastoral das mães em condições de pobreza. Este projeto se capilarizou por todas as regiões do Brasil através do trabalho voluntário.

 Anos mais tarde foi significativa a campanha provocada por Herbert de Souza (Betinho) que mobilizou todo o Brasil e desnudou a realidade de fome no Brasil (1993). O destaque deste movimento foram os comitês locais, ou seja, a descentralização das ações e a construção de propostas que iam além da doação de alimentos. Estendia-se também à projetos de geração de emprego e renda, educação, creches, esporte e lazer, arte e cultura, saúde, assistência à população de rua e outras.

 No início deste século a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou também uma campanha para a superação da fome. Foi apresentado a sociedade um documento intitulado “Exigências Éticas para a Superação da Miséria e da Fome” seguido da criação do “Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome”, este definindo as ações da Igreja em diálogo com a sociedade.   

Paralelo a estes movimentos da sociedade civil, o governo federal estruturava alguns programas de transferência de renda embasados na Constituição de 1988. Outros programas de influência mais direta de foram canalizados para o “programa bolsa família” a partir do ano 2003.  Quanto a este programa vale pena consultar as pesquisas publicadas sobre a sua importância na superação da miséria e da fome e também na emancipação feminina na condução das finanças do lar. Mas somente o “programa bolsa família” não resolve o problema da fome. É atenuante, mas não resolve.

 Ainda da parte governamental lembra-se aqui a criação do CONSEA – Conselho de Segurança Alimentar que significou a entrada decisiva dos governos no enfrentamento da fome. O atual governo tentou extinguir este conselho.

Ao longo dos anos vários fatores contribuíram para o enfrentamento da miséria/pobreza/fome.  Contudo é fundamental compreender que a estabilidade econômica, aliada à justiça social, fortalecida com políticas sociais consistentes, contribui de forma definitiva para a superação dos quadros de pobreza/miséria/fome. Estas condições precisam ser recuperadas sob o risco de voltarmos ao mapa da pobreza, ou seja, o país destacará por não conseguir dar o mínimo de vida digna para os seus habitantes. E a dignidade se estrutura entre outras coisas no direito à alimentação saudável.

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