Planejando o futuro

Postado por: Adalíbio Barth

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O padre de uma paróquia sempre demonstra grande interesse por alguém que lhe comunica o desejo de ser padre. Sua função exige atenção toda especial aos que pretendem seguir o caminho da vocação sacerdotal ou religiosa.

Após palestra realizada numa escola do interior, ao chegar em casa, pus-me a ler tudo o que os adolescentes escreveram sobre o “projeto de vida” que possuíam. Aí aparecia de tudo: piloto de avião, jogador de futebol, artista, cantor, fazendeiro e tantos outros.

Uma cartinha me chamou especial atenção. Um menino escrevera em letra pouco legível, mas assim decifrada: “Gostaria de ser padre. Assim vou dar pão aos que têm fome... Nenhum pobre passará fome...”.  E assim por diante.

Interessei-me em entrevistar o possível “vocacionado”, para acompanhar mais de perto esse “chamado de Deus”. Não é todo santo dia que alguém demonstra planos tão decididos para resolver situações difíceis de nossa gente.

Na primeira oportunidade em que passei pela escola, resolvi chegar e falar com a direção.

A diretora chamou o adolescente. Quando veio, assustou-se ao ver o padre, sentou-se quase sem jeito, com os olhos arregalados de surpresa.

Ao mostrar-lhe o que escrevera ao final da palestra, de alguns dias antes, em que manifestara o desejo de “ser padre”, ficou espantado.

- Mas eu não escrevi isto! - interveio rapidamente.

- Escreveu, sim! Aqui está a sua cartinha e é sua letra. Leia o que você escreveu!

- Isto não é “padre”! É “padeiro”! - leu apressadamente, apontando com o dedo o engano de sua escrita malfeita.

Guardei a cartinha dele, agradeci à direção, desejei-lhe bons estudos e muito sucesso na escolha da profissão.     

Desde aquele dia fiquei pensando sobre esta missão de “dar pão aos que têm fome”. Queria para isto um “padre” e apresentou-se um “padeiro”.

Você já ofereceu trabalho ou ajudou a conseguir emprego para alguém? Você já incentivou   alguém a trabalhar? Já ensinou a alguém uma profissão? O que você diz sobre a afirmação: “Não adianta dar o peixe, é preciso ensinar a pescar!” Qual é o sentido e o valor do trabalho?

 

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