Salário mínimo na Venezuela equivale a menos de R$ 12 e atinge o valor mais baixo da história

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Foto: Federico Parra/AFP   Foto: Federico Parra/AFP 
Exatamente um ano depois do lançamento do plano de recuperação econômica proposto pelo governo de Nicolás Maduro para enfrentar a crise e a hiperinflação, o salário mínimo da Venezuela chegou ao valor mais baixo da história nesta terça-feira (20) e equivale a US$ 2,76, cerca de R$ 11,15, segundo a cotação cambial oficial.

Nesta terça-feira, o dólar foi negociado a 14.843,54 bolívares soberanos pelo câmbio oficial estabelecido pelo Banco Central do país. A desvalorização em relação à moeda americana tem aumentado constantemente desde o início do ano.

Com os 40.000 bolívares de salário mensal equivalendo a menos de US$ 3, os venezuelanos estão abaixo da linha da miséria estabelecida pela ONU, que estabelece que os que recebem menos de US$ 1,90 por dia vivem em situação de extrema pobreza.

Em agosto do ano passado, quando deu início ao plano de recuperação econômica do país, Maduro estabeleceu que o salário mínimo seria fixado em US$ 30. Houve, no entanto, uma perda de 90,80% no poder de compra desde então, apesar de quatro reajustes realizados pelo governo nos últimos 12 meses.

Com o atual salário mínimo, os venezuelanos conseguem comprar apenas 30 ovos. A realidade, porém, não é muito diferente da registrada no país há um ano, quando Maduro iniciou a reconversão monetária para cortar cinco zeros do bolívar.

Apesar do agravamento da crise, o chavismo não deu sinais de novos reajustes salariais nos próximos meses e sequer fala sobre o chamado "plano de recuperação e prosperidade econômica" que, entre outros objetivos, também previa combater a escassez de dinheiro em espécie no mercado.

As notas de menor valor, porém, já pararam de circular. Com a hiperinflação vivida no país, que chegou a 1.579,2% desde o início do ano, os venezuelanos já não conseguem fazer compras com as notas de 2, 5, 10, 20 e 50 bolívares soberanos. O valor delas é quase tão nulo como as que saíram de circulação no ano passado. O Banco Central da Venezuela anunciou em junho a criação de três novas notas: 10.000, 20.000 e 50.000 bolívares, equivalentes a US$ 0,69, US$ 1,38 e US$ 3,45, respectivamente.

O plano de recuperação também incluía uma modificação do sistema de compra e venda de divisas no país. No entanto, o novo mecanismo falhou em combater o mercado paralelo de negociação de dólares na Venezuela. O controle de preços, estratégia reciclada pelo governo em várias ocasiões, fazia ainda parte do programa, mas a medida durou apenas algumas semanas. Maduro chegou a anunciar um aumento dos preços da gasolina, o que nunca ocorreu.

Um estudo divulgado nesta terça-feira revelou ainda que 80% das empresas venezuelanas interromperam ou reduziram sua produção no segundo trimestre deste ano. De acordo com presidente da Confederação das Industriais da Venezuela, Adán Celis, esses dados são alarmantes.

O setor sofreu duros impactos neste ano com constantes os apagões e a escassez de gasolina, o que levou as indústrias operarem atualmente com 19% de sua capacidade instalada. Além da redução na produção, houve no segundo trimestre de 2019 uma queda de 76% no emprego em pequenas e médias empresas.

Os problemas no setor privado se agravaram após sanções impostas pelos Estados Unidos em abril que proibiram a negociação do petróleo venezuelano no sistema financeiro americano. Washington vem impondo uma série de punições ao país para pressionar Maduro a deixar o poder.

*G1 / Deutsche Welle

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