Romualdo, o taxista

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Depois do seu longo turno noturno no táxi, tudo o que Romualdo queria era ir para casa, tomar um banho e dormir.

Finalmente, ao raiar do dia, desligou o taxímetro e partiu com o último Fusca táxi da cidade para casa.

Enquanto guiava, lembrava do edredom novo que o esperava na cama quentinha e de quantas vezes já havia prometido largar o táxi, aposentar-se e aposentar o Fusca. Os dois já estavam velhos e cansados demais para essa vida.

Quase chegando, na calçada surge uma mulher acenando com um braço enquanto com o outro segura a enorme barriga. A face contorcida em caretas de dor. No ombro uma sacola pendurada. Uma grávida. Uma grávida em trabalho de parto.

Por cinco segundos Romualdo cogitou passar direto. Os olhos pesados, a mente dormente. Podia quase sentir o calor da cama.

Com alguma dificuldade, entre gemidos e suspiros, ajeitou-se a grávida no banco de trás do Fusca.

- Toca pro hospital taxista, que esse menino tá nascendo!

No caminho a agitação da grávida fez Romualdo despertar. Respiração cachorrinho, contração, gemidos, suspiros, gemidos, cachorrinho, contração... a bolsa! Estourou a bolsa!

- Mais rápido taxista, não quero que meu filho nasça num Fusca!

Mas nasceu. Um enrugado e gordinho menino nasceu no banco de trás do Fusca do Romualdo, o taxista que só queria ir para casa, tomar um banho e dormir mas teve que ficar no hospital até o fim do dia dando explicações para a polícia, para os médicos, para os jornalistas, para o pai da criança e depois lavar o Fusca porque uma grávida havia dado a luz ali e já estava na hora de voltar ao trabalho.

E nem recebeu a corrida. Romualdo, o taxista

Depois do seu longo turno noturno no táxi, tudo o que Romualdo queria era ir para casa, tomar um banho e dormir.

Finalmente, ao raiar do dia, desligou o taxímetro e partiu com o último Fusca táxi da cidade para casa.

Enquanto guiava, lembrava do edredom novo que o esperava na cama quentinha e de quantas vezes já havia prometido largar o táxi, aposentar-se e aposentar o Fusca. Os dois já estavam velhos e cansados demais para essa vida.

Quase chegando, na calçada surge uma mulher acenando com um braço enquanto com o outro segura a enorme barriga. A face contorcida em caretas de dor. No ombro uma sacola pendurada. Uma grávida. Uma grávida em trabalho de parto.

Por cinco segundos Romualdo cogitou passar direto. Os olhos pesados, a mente dormente. Podia quase sentir o calor da cama.

Com alguma dificuldade, entre gemidos e suspiros, ajeitou-se a grávida no banco de trás do Fusca.

- Toca pro hospital taxista, que esse menino tá nascendo!

No caminho a agitação da grávida fez Romualdo despertar. Respiração cachorrinho, contração, gemidos, suspiros, gemidos, cachorrinho, contração... a bolsa! Estourou a bolsa!

- Mais rápido taxista, não quero que meu filho nasça num Fusca!

Mas nasceu. Um enrugado e gordinho menino nasceu no banco de trás do Fusca do Romualdo, o taxista que só queria ir para casa, tomar um banho e dormir mas teve que ficar no hospital até o fim do dia dando explicações para a polícia, para os médicos, para os jornalistas, para o pai da criança e depois lavar o Fusca porque uma grávida havia dado a luz ali e já estava na hora de voltar ao trabalho.

E nem recebeu a corrida.


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