VW SP1, SP2 e SP3

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Isso mesmo, o carro mais bonito do mundo. Pelo menos na opinião da revista alemã Hobby, especializada em automobilismo, na apresentação do SP2 em 1971 na Alemanha.

A história do icônico carro da VW Brasil começa um pouco antes, em 1969, com o chamado Projeto X. Proibida a importação de carros para o Brasil, as fábricas locais se esmeravam em suprir a demanda do país nas décadas de 1960/70. Mas faltava um ingrediente importante na indústria nacional de automóveis: um carro esportivo. O Karmann Ghia não se encaixava perfeitamente na categoria e uma concorrência passava a incomodar a VW – o Puma – que se utilizava da mecânica e chassi VW 1600 numa carroceria de fibra de vidro, muito leve, que lhe conferia um desempenho fenomenal (para a época). Então, a VW Brasil colocou sua famosa equipe de projetistas para trabalhar sob o comando de Márcio Piancastelli, o mesmo que havia projetado o VW 1600 Zé do Caixão e mais tarde projetou a Variant II e o Gol.

Do Projeto X originou-se um novo carro - o SP - em duas versões: o SP1 e o SP2, ambos montados na plataforma da Variant. O SP1 era a versão básica, trazendo inclusive o mesmo motor da Variant, o boxer 1600cc refrigerado a ar, com aproximadamente 58cv. Já o SP2 trazia um motor boxer de 1700cc também refrigerado a ar e maior taxa de compressão que entregava perto de 65cv, além de contar com bancos em couro, mais instrumentos no painel e mais requinte interno. O desempenho do SP1 não agradou, nem o pobre acabamento interno, sendo que pouquíssimas unidades foram produzidas. Já o SP2 quase foi um sucesso estrondoso. Quase.

Um carro inovador, arrojado, de linhas agressivas, de bom requinte e acabamento interno, mas caríssimo. O desempenho também não agradou, pois mesmo com o motor de 1700cc taxado, câmbio longo e uma ótima aerodinâmica, os quase mil quilos o deixavam mais lento que o Puma, que tinha um motor menor, mas era muito mais leve. Freios subdimensionados e constantes saídas de traseira nas curvas também faziam parte da lista de críticas. Porém, em uma época em que recall não fazia parte do vocabulário automotivo nacional, os próprios donos de SP2 resolviam esses problemas, envenenando o motor e redimensionando o sistema de frenagem.

Mesmo assim, comparado com os carros da época, o SP2 era lindo, diferente, chamativo e uma delícia de pilotar. Após 4 anos de produção e pouco mais de 10 mil unidades montadas, em 1976 chegou o VW Passat TS e foi encerrada sua produção. Foi cogitado um SP3, que seria um SP2 com a motorização do Passat TS, contudo, apenas um ou dois protótipos foram montados e o projeto abandonado.

Mas, porque o nome SP? Como muitas coisas provindas da VW, ninguém tem muita certeza do que realmente significa a sigla. Alguns dizem que é uma homenagem ao estado de São Paulo. Outros dizem que significa Sport Prototype. Mas o desempenho do esportivo também gerou uma piada de mal gosto com a sigla, dizendo que significava sem potência. S pé 2, querendo dizer que havia vindo a pé e Só Para 2, em alusão aos lugares do motorista e passageiro também caíram na boca do povo.

Hoje o SP2 é modelo raríssimo de coleção, de altíssimo valor. O SP1 está praticamente extinto, pois pouco mais de 100 unidades foram produzidas. Alguns poucos colecionadores ao redor do mundo possuem um exemplar de SP1 ou SP2 em condições originais de fábrica. Os que estão à venda em estado razoável variam de 50 a 100 mil reais, mas uma restauração pode custar bem mais que isso e esbarrar na escassez de peças e partes.

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