A periferia como lugar de atenção da Igreja Católica de Passo Fundo

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Os representantes das 12 Paróquias da cidade de Passo Fundo, agentes de pastoral, leigos e ministros ordenados, estão refletindo sobre a presença da Igreja Católica nas comunidades de periferia. O Projeto ainda em discussão tem como título; “Rede de evangelização nas Comunidades de periferia”. Tem sido uma reflexão muito proveitosa que começa com o desafio de conhecermos melhor as periferias sociogeográficas de Passo Fundo, lugar de muita luta e enfrentamentos na busca da sobrevivência, mas também de criatividade, solidariedade e cuidado com a vida.  

Os dados justificam a proposta de trabalho. Dos mais de 200 mil habitantes da cidade de Passo Fundo, cerca de 45% moram em aglomerados urbanos periféricos. Ou seja, focalizando-os numa perspectiva sociogeográfica, habitam locais afastados do centro urbano, marcados pela negligência do poder público quanto à oferta de equipamentos e serviços urbanos, garantidores de uma vida digna.  

A ocupação das áreas urbanas periféricas, na maior parte dos casos, ocorreu sem um planejamento prévio e sem as definições de um consistente plano diretor.  Como consequência as condições de sobrevivência digna não são acessíveis a todos, tanto pela escassez de equipamentos urbanos, quanto pelo acesso aos diferentes serviços que, hipoteticamente permitiriam uma vida digna e cidadã. Atualmente estas dificuldades são potencializadas pela vigente crise socioeconômica que afeta especialmente os que apenas podem sobreviver em áreas não cobiçadas para investimentos habitacionais urbanos. A precariedade das moradias e da infraestrutura externa denuncia uma forma de vida marcada por grandes problemas. A situação de desemprego, subemprego ou trabalho informal, aliadas à violência e outras dificuldades, afeta a vida das famílias.  Em muitas casas falta inclusive a alimentação diária, realidade que se pensava superada.  

É tarefa da Igreja presente na cidade de Passo Fundo olhar mais atentamente para essas periferias e fazer-se aliada deste contingente numeroso de pessoas, muitas vezes em situação de invisibilidade social. Esta presença já é visível através de inúmeras ações embasadas na intenção evangelizadora, sobretudo priorizando aspecto social. Contudo aquilo que é objeto de amor sempre exige mais e há de se aprofundar a reflexão sobre esta presença carinhosa e atenciosa.

            A pratica de Jesus é a grande referência para este objetivo. O Filho de Deus optou por começar a sua missão na periferia da Palestina, na região da Galileia, que era objeto de preconceito por parte do restante do país. A partir da Galileia Jesus foi anunciando o Reino de Deus, a grande novidade para todo o povo.  O Papa Francisco tem insistido em uma Igreja “em saída missionária” para alcançar a todas as periferias que precisam da luz do evangelho (cf. EG 20). Segundo ele a Igreja não pode ficar presa à sacristia sob o risco de adoecer. Em saída encontrará o seu sentido, a sua essência missionária, fazendo o bem a humanidade.

Recentemente foi publicado o novo documento que orientará a ação evangelizadora da Igreja no Brasil. O texto sugere um olhar atencioso para a pastoral urbana sobretudo para as realidades de pobreza, ou seja, caracterizadas pela ausência do mínimo necessário para viver com dignidade (cf. DGAE, 58).  Sustenta esta necessidade afirma a necessidade de contemplar o Cristo sofredor na pessoa dos pobres, o que significa comprometer-se com todos os que sofrem, buscando compreender as causas de seus flagelos, especialmente as que os jogam na exclusão (DGAE 110).

A presença da Igreja na cidade considera como prioridade a ação nas periferias geográficasociais sem desconhecer as outras dimensões. Quando se pensou a proposta da “Rede de evangelização nas comunidades de periferia” compreendia-se a necessidade de somar esforços em vista de uma presença mais efetiva e qualificada da Igreja nestes locais, não no sentido proselitista, mas para viver mais plenamente a fidelidade ao evangelho de Jesus Cristo, que convida seus seguidores a fazerem-se servidores da humanidade (cf. Jo 13,112-17), especialmente os mais pobres. 

Esperamos que esta proposta em discussão se faça realidade e oriente o agir eclesial na cidade de Passo Fundo. Que o Espirito Santo continue nos inspirando no que devemos pensar e fazer.

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