Situação das agroindústrias e abatedouros é tema de audiência pública na Câmara de Vereadores

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Em Passo Fundo, ocorreu hoje, quarta-feira, uma audiência pública na câmara de vereadores para tratar dos rumos das agroindústrias e abatedouros localizados no interior do município. Os produtores relataram aos parlamentares as dificuldades de atender a todas as exigências impostas pelo Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte. 

O município também possui uma legislação específica a ser atendida sobre o assunto. As discussões vêm ocorrendo já há dois anos.

Segundo os relatos, muitos produtores estão deixando de se dedicar à atividade, principalmente no tocante à venda de carne e embutidos, em função dos altos custos.  Com isso, a feira do produtor que tem sua unidade na área central da cidade também pode ficar sem o abastecimento. Os feirantes afirmam que não deverão mais levar esses produtos para a comercialização.

A audiência pública da manhã desta quarta-feira reuniu um grande número de participantes. O presidente da CPDUI, vereador Luiz Miguel Scheis (PDT), abriu os trabalhos ratificando a importância dessa reunião aberta à comunidade que precisa ser ouvida pelos poderes públicos no sentido de se construir um diálogo que contemple todos os envolvidos neste debate. O parlamentar lamentou, porém, a ausência de representantes do Executivo neste encontro.

Durante a reunião grande parte dos representantes presentes foram ouvidos pelo público e a exposição dos mais diversos pontos de vista foram acolhidos pelos participantes.

Paulo Oliveira, que presta consultoria e representação a alguns produtores rurais, falou em nome do conjunto dos agentes envolvidos no debate acerca da fiscalização das agroindústrias e dos abatedouros. O consultor citou a intenção de se construir um diálogo único que contemple todas as nuances envolvidas neste tema. Ele ainda afirmou que deve se buscar amenizar os discursos raivosos de ambos os lados, tanto dos produtores que se sentem perdidos na adequação de seus ambientes de produção, e do outro os fiscais, que cumprem seu trabalho interpelando os produtores dentro das suas propriedades.

Para o presidente da Feira dos Produtores da GARE, Mércio Michels, está sendo esquecida a importância do trabalho realizado pelos produtores rurais que abrem mão do seu conforto. “Enfrentando chuva e frio para poder produzir o alimento e atender toda a população”, colocou. Ele também salientou que as demandas criadas pelos fiscais neste último ano, têm afetado a forma de trabalho, a produtividade dos alimentos e gerado muitas adversidades para contemplar as adequações solicitadas pela fiscalização, que chegam a visitar os produtores a cada dois dias.

Já Monica Valiatti, que presta serviço aos pequenos produtores da cidade, falou sobre a dificuldade na prestação de serviço para os estabelecimentos, que não são contra a fiscalização, mas sobre a forma como estão sendo executadas as fiscalizações na cidade. Segundo ela “precisa haver um bom senso na fiscalização dos produtores, em virtude de que há casos em que há mais de cinco anos se busca uma aprovação de um estabelecimento, ao passo que, em outro município o processo de aprovação e início da comercialização dos produtos estava completo em seis meses”, explanou. Monica reforçou sobre todos os produtores serem favoráveis à fiscalização, porém adverte que esse trabalho precisa ter regras claras e uma forma adequada de executar a fiscalização e, principalmente, bom senso dos fiscalizadores que vão até os produtores cobrar as regras que “flutuam no último ano, em que ora se exige de um jeito ora de outro, deve-se eliminar a falta de respeito com que os fiscais têm tratado os pequenos produtores”, lembrou.

Rodrigo Benvenuti explicou que, como consumidor, compra alimentos das agroindústrias locais há muitos anos e relatou não ter presenciado nenhum problema em decorrência de seu uso. Entretanto, questionou a falta de estudos sobre eventuais problemas causados pelo consumo desses itens e apontou uma rigidez anormal das regras que vêm assolando esses produtores. Rodrigo demonstrou preocupação no seguimento do comércio desses trabalhadores, já que, conforme ele, estão sendo prejudicados pelos agentes de fiscalização.

Para o Presidente do Sindicato Rural de Passo Fundo, Júlio Carlos Susin, a questão está na legislação. “O Brasil sofre com uma epidemia de leis de quem não está envolvido no processo de produção e, portanto, não compreendem a dificuldade enfrentada pelos produtores até poderem entregar seus alimentos até o consumidor final”, apontou. Susin finalizou seu discurso afirmando que está à disposição para a construção de um diálogo visando amenizar os ânimos e contemplar os produtores sem infringir as leis.

O líder do governo na Câmara Municipal, vereador Ronaldo Rosa (SD), falou sobre o desconforto da não participação de representantes do Executivo Municipal nessa importante reunião e que irá se empenhar em buscar o máximo de informações. Ronaldo afirmou que, caso seja necessário, indicará a troca da equipe dos fiscais municipais, para que o trabalho dos produtores rurais afetados seja novamente viável, podendo exercer suas atividades de uma forma correta, propiciando uma justa fiscalização de seus negócios.

Novas reuniões devem ocorrer na próxima semana, inclusive com as reivindicações sendo apresentadas ao poder executivo municipal.


Foto: Marcelo Albuquerque (Planalto News)

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