Em busca de acordo pelo clima e pelo futuro da humanidade

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Realizou-se nesta semana em Nova York a “Cúpula Mundial de Ação do Clima” voltado à discussão da situação climática mundial. Antes, na sexta feira, 20 de setembro, algumas Igrejas do mundo inteiro fizeram os sinos badalar, assinalando a preocupação com as mudanças climáticas, evento organizado pelo “Movimento Católico Global Pelo Clima”. Neste mesmo dia, aconteceram manifestações das juventudes em várias capitais do mundo, revelando a mesma preocupação e cobrando atitudes dos governos em vista do equilíbrio climático.

Há anos os cientistas têm alertado sobre a possibilidade das mudanças climáticas devido ao aumento da temperatura média do planeta, com consequências graves para todos os sistemas de vida. Caso o aquecimento global aumente na média de mais de dois graus centígrados, acontecerão transformações profundas em todo o sistema natural e, consequentemente, a humanidade será atingida.

Todavia, este debate tem várias interpretações e intencionalidades. De um lado está a sociedade organizada que, de posse de dados comprovadamente científicos, tem agido alertando os Chefes de Estado sobre a gravidade da situação climática. Lembramos como personagem deste processo a jovem sueca Greta Thunberg. Por ocasião do evento em Nova York, esta jovem, junto com outros quinze jovens de diferentes partes do mundo, denunciaram alguns países, entre eles o Brasil, que estão violando os direitos humanos dos menores de idade ao não adotarem medidas adequadas contra as mudanças climáticas.

 De outro lado estão os Chefes de Estado, sensibilizados com a problemática, porém com pouco poder de articulação em nível internacional. Conseguem avalizar pequenas iniciativas de cunho local, mas sem alcance planetário. Tem seu valor e impactos positivos, entretanto carecem de força política para uma incidência maior.

Nomeamos um terceiro grupo. Os Chefes Estados que não concordam com os alertas e preferem continuar suas políticas de retrocesso em benefício de um modelo de desenvolvimento predador e desconhecedor do seu potencial destrutivo. Infelizmente são os que logram maior força econômica e política e têm conseguido senão truncar os processos de debate e compromissos em relação ao clima, ao menos deixá-los bastante fragilizados e com pouca incidência no mundo.

A novidade alvissareira no encontro promovido pela ONU foi o acordo de várias empresas multinacionais e bancos de colocarem algumas regras que orientam os processos produtivos em vista do equilíbrio climático. Neste caso, esperamos que não seja um paliativo sem maiores consequências, voltado apenas para aliviar as tensões, mas sim o começo de uma nova mentalidade.          

O desafio permanece. As mudanças climáticas afetarão toda a humanidade e o mundo criado nos seus vários ecossistemas. Certamente os pobres serão os primeiros afetados e sentirão de forma mais direta e sofrida as transformações. Contudo, a ameaça não se restringe aos pobres. A vida humana não será a mesma se persistirem os sinais de aumento da temperatura média do Planeta. Na encíclica Laudato Si, o Papa Francisco lembra que o clima é um bem comum, um bem de todos e para todos (LS 23). De forma profética alerta que mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade (LS 25).

De nada valerá o paradigma da produtividade e do consumismo como orientador das relações se a vida humana se extinguir na face da terra. Por isso, a necessidade de um acordo pelo clima e pelo futuro da humanidade.

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