Nem padre, nem religioso: sou professor

Postado por: Nei Alberto Pies

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A escola pública deve promover o conhecimento das diferentes religiões, sem quaisquer formas de proselitismo e preferência religiosa.O professor de Ensino Religioso, que trabalha na perspectiva do diálogo e do conhecimento inter-religioso, sempre deve ter mente aberta, compromisso com o conhecimento das diferentes religiões e ousadia para enfrentar o desapego de sua
convicção ou crença religiosa.
Todos deveriam reconhecer diferenças entre fé, religião e espiritualidade. Fé sempre é uma questão pessoal, uma forma e uma relação íntima de cada um com o Transcendente. Religião é a experiência coletiva da vivência da fé (não por acaso, nas religiões os seguidores se chamam de irmãos ou irmãs). Já espiritualidade, remete a uma dimensão sempre maior, que pode e deve ser pensada na perspectiva das aulas de ensino religioso. Espiritualidade é Cuidado: consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com o Transcendente.
Recorro a memórias afetivas de estudantes em dois níveis: ensino fundamental séries finais e Ensino Médio. As duas memórias revelam o reconhecimento de práticas em sala de aula.
Um estudante do sexto ano fez uma constatação interessante. Logo após expor para a turma, de forma entusiasmada, o sentido do Ensino Religioso para a formação integral do ser humano e para a construção do sentido da vida, o aluno me interrogou: -O senhor deveria ser pastor ou padre -. Imediatamente, sem pensar muito, respondi: "nem padre, nem pastor ou líder religioso, eu prefiro ser professor.
Se fosse padre ou pastor, falaria apenas a partir de uma religião. Como professor, posso apresentar e falar de várias religiões, sem comparar e nem desmerecer uma em detrimento de outra".?“Um estudante do Ensino Médio, depois de umas quinze aulas, resolveu abordar-me.
Perguntou se eu era ateu. Resolvi interrogá-lo: - Por que você acha que o professor é  ateu? Ele me respondeu: “professor, o senhor faz uma aula de ensino religioso
desapegado. Eu tinha uma professora conhecedora de muitas religiões, mas ela não conseguia livrar-se do moralismo. Sempre acabava querendo enquadrar a gente,
afirmando como a gente deveria viver”.
O Ensino Religioso, no paradigma inter-religioso, cumpre importante papel na formação integral do ser humano, no reconhecimento das dimensões históricas, psicológicas,
sociais, culturais e religiosas de cada ser humano e de todo mundo.
Ao longo destes últimos quinze anos trabalhando com a disciplina do Ensino Religioso, especialista em Metodologia do Ensino Religioso, conheci pessoas, vivi experiências de
trocas de conhecimentos, visitei templos religiosos e dialoguei muito sobre o universo religioso. Assumo que sei pouco, quase nada, sobre as tradições religiosas.

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