Banda Libertarte lança música autoral em jantar beneficente

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A chuva do final de semana não impediu o sucesso do jantar beneficente organizado pelo Instituto Libertarte. Foram mais de 120 pessoas que compareceram ao jantar de arrecadação de fundos para manutenção do instituto e puderam conferir, em primeira mão, a nova música da banda composta por egressos do Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE). Thiago Gasparin Clara, um dos egressos, é o responsável pela primeira composição da banda, “Aprender me fascina”, que já pode ser conferida em plataformas como Youtube e Spotify. Junto com ele Joelson Prestes e Gabriel Moreira são a prova viva de que a música pode mudar histórias. Como disse Gabriel “podiam ser três aí na rua, que agora estão com outra vida através da arte”.

O valor arrecadado com a venda de ingressos superou a expectativa e será utilizando para a manutenção do projeto. Wagner Pacheco, presidente da OSCIP Instituto Libertarte, lembrou o trabalho e esforço de um grande grupo de voluntários para que aconteça a manutenção deste projeto. Após uma retomada das ações organizadas pelo instituto no último ano, Wagner pontuou que o grupo tem se consolidado como uma entidade de luta que tem batalhado para buscar fortalecer uma política de acompanhamento de egressos do CASE e acompanhamento de homens e mulheres do sistema prisional com algumas ações.

“O desafio para 2020 é muito grande. Quando falamos de voluntariado e buscamos construir uma sociedade através do terceiro setor, é difícil arrecadar recursos, é difícil sensibilizar, é difícil atrair parceiros.... Nós agradecemos a diretoria do instituto, todos os associados e relembrar uma frase que o Wagner Gehlen, nosso vice-presidente fala, que diz que esse público que o Instituto Libertarte atende, a sociedade trata como último da fila e nós queremos (e iremos) tratar como os primeiros da fila”, salientou Pacheco.

O Secretário de Cidadania e Assistência Social, Wilson Lill, representou o executivo municipal e destacou a importância e o reconhecimento que o município tem por iniciativas como essa.  “Passo Fundo é um dos poucos municípios que tem no seu cabedal de leis, a lei que institui a justiça restaurativa e os círculos restaurativos. As pessoas são capazes de errar. E quando eu digo as pessoas, é dizer que eu sou capaz de errar e sou merecedor de uma oportunidade. E se eu sou merecedor de uma oportunidade, porque os outros não tem este mesmo privilégio, este mesmo direito e essa mesma grandeza de nossa parte, de reconhecer este direito?” questionou Lill.

Dalmir Franklin de Oliveira Jr., coordenador do projeto banda Libertarte e Juiz Coordenador do Foro da Comarca de Passo Fundo, ressalta que a banda e o projeto nasceram como uma forma de incentivo da arte e da cultura para esses jovens e para a sociedade como um todo.

“A presença de tantas pessoas faz com que o grupo cada vez mais acredite que este sonho que nasceu lá dentro do CASE, que é investir na arte e na música como uma forma de mudar a vida das pessoas, especialmente destes jovens, é um sonho que pode se concretizar. Os meninos continuam compondo lindas canções que não só mostram a realidade do que esses jovens vivem, mas que também acrescentam na cultura brasileira.

O presidente da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, Fernando Rigon, elogiou a iniciativa e defendeu que não existe outra maneira de mudar a sociedade senão com cada um fazendo a sua parte. “Há tempos atrás o que se via pessoas como o Dr. Dalmir participando nas colunas sociais e hoje a gente vê ele encabeçando um projeto social, é isso que vai fazer a mudança na sociedade. Essa é uma noite especial para mostrar, aí fora, que se nós fizermos a nossa parte através de ações concretas o mundo pode e vai mudar,” disse.  

Quem compõe a banda?

Além do juiz Dalmir, a banda Libertarte conta com músicos profissionais que atuam voluntariamente no projeto, como Maikon Varella, Wagner Gehlen, Gian Carlo Camargo, Carlos Potiguar e Raniel Leiria. O destaque, por sua vez, fica por conta dos três talentosos egressos do CASE:

Tiago é compositor da canção “Aprender Me Fascina”, a primeira música autoral da Banda. Sobre a experiência de fazer parte desse projeto ele conta que o Instituto tem proporcionado diversas oportunidades. “Me levou a saber o que quero na minha vida. Além disso, viver com a minha arte, no caso minha música, também me incentiva a estudar todos os dias, pois o conhecimento não tem fim. Ele tem me conscientizado de meus erros passados e me proporcionado a levar essa mensagem de consciência em minhas músicas. A maior diferença que a Banda me proporcionou, foi me incentivar a acabar a escola e cursar licenciatura em música, me fazendo descobrir minha vocação para composições musicais. Pelas minhas músicas tento expressar o que tenho de bom a mostrar,” afirma.

Gabriel Moreira, o famoso Tio Gabe, é um dos vocalistas da Banda Libertarte. Além disso, compõe diversas canções no estilo que mais gosta, o rap. Dentre suas várias composições, escolheu um verso que define a transformação da Banda em sua vida. .
"valeu a pena, escapar da algema, dar orgulho pra minha mãe e não ser mais problema, aprender o tema e que a molecada creia, que a liberdade vale mais do que conta bancária cheia", confessa.

Joelson Prestes, mais conhecido como Patê, conta que no momento que aderiu a banda passou a ter mais responsabilidade, começou a pensar melhor. “Tenho participado mais da minha família, interajo com os meus familiares, com a banda e com os meus amigos, e por isso ela é tão especial para mim. Não só a banda, mas a música em si me proporcionou muitas coisas boas. Eu posso dizer que a música mudou totalmente a minha vida, porque agora eu tenho responsabilidades. A gurizada da banda depende de mim, tenho que estar sempre andando na linha. O que mais mudou foi mesmo a questão da responsabilidade, foi o que me ajudou a ter compromisso, a respeitar minha família e meus amigos. Além disso, estou mais compreensivo, mais carinhoso, hoje eu tenho a minha própria opinião e respeito a opinião do próximo”, declara o que é, sem dúvida, o mais espirituoso da banda. 


Créditos: Ingra Costa e Silva (Divulgação)
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