De quem aceitar críticas

Postado por: Nei Alberto Pies

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A coisa mais difícil do mundo é conhecermo-nos a nós mesmos e o mais fácil é falar mal dos outros” (Tales de Mileto)

 

Ao acessar o Facebook deparei-me com um destes pensamentos que faz a gente reagir rápido e impulsivamente. Sem pensar, compartilhei frase que diz: “não aceite críticas de quem não conhece suas lutas”.

Desde então, fiquei preocupado com o impacto que esta suposta verdade pudesse provocar em mim e nos outros. Por conta disso, proponho esta reflexão.

Minha história, como as histórias de tantos outros lutadores e lutadoras, é permanentemente perseguida, difamada e mal interpretada. Quem se coloca na defesa dos mais pobres e excluídos desta terra sabe o preço que paga por suas posturas e convicções.

Parece verdadeiro que só pode criticar quem conhece as minhas lutas. Que quem não conhece as lutas da gente não tem mesmo como nos criticar. Que as críticas aceitáveis podem partir somente de quem faz parte de nossos círculos, grupos ou lutas.

Após um período de ponderação, dei conta que nem todos aqueles com os quais me relaciono conhecem a minha história. Pensei que, talvez, aqueles que não conhecem minhas lutas seriam capazes de uma crítica que me ajudasse a crescer ou reavaliar minhas convicções ou posicionamentos. Pensei e concluí que a crítica pode ser importante, dependendo da intencionalidade de quem a comunica e da interpretação de quem a recebe.

Não é fácil aceitar críticas, venham elas de quem vierem. Vivemos numa sociedade avessa aos verdadeiros elogios, onde as críticas são poderosas ferramentas que usamos para destruir a reputação ou a história dos outros, sem escrúpulos. Por isso mesmo, temos dificuldades para entender a perspectiva construtiva de uma crítica.

As críticas, no entanto, quando dirigidas com a intenção de ajudar e melhorar a vida da gente, podem ser importantes para nos compreendermos sujeitos aprendentes, inacabados e incompletos.

Dos que nos são próximos, esperamos mais “bajulação” do que críticas. Dos estranhos, temos pouca ou quase nenhuma disposição de ouvir qualquer crítica ou opinião. Conclusão: não temos a cultura de ajudar e colaborar com os outros, oferecendo-lhes sinceras ponderações e pensamentos.

Não somos ensinados a ouvir o que os outros nos dizem.  Preferimos, então, viver sem a pressão e o incômodo de nos avaliar. Preferimos pensar que não precisamos mudar a partir dos outros. No máximo, mudamos com as aprendizagens duras da vida.

As críticas construtivas são aquelas que ajudam a crescer. Aperfeiçoar-se e humanizar-se são desafios humanos grandes e permanentes.


 

 

 

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