O petróleo é nosso!

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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A campanha intitulada “o petróleo é nosso”, nasceu no final da década de 40 e início dos anos 50. Na época os movimentos sociais ligados aos partidos de esquerda, lutavam por uma social democracia, por liberdade de expressão e um maior controle estatal sob os bens públicos, incluindo a exploração do petróleo. No ano de 1953 o atual presidente da República, Getulio Vargas, sancionou a lei que criava a Petrobrás, com o doce sonho de que nós brasileiros seriamos de fato “donos” do petróleo e que teríamos uma riqueza a disposição do povo brasileiro.

O Brasil é um país jovem e muito mais jovem é sua independência, que só veio no ano de 1822, antes disso, éramos uma colônia de Portugal, onde praticamente toda a riqueza produzida e extraída daqui, era mandada para a coroa portuguesa. Nossa tão sonhada independência e soberania nacional chegara, porém, a divisão das riquezas continuou sendo desleal e injusta. Somos hoje um país com altos índices de desigualdade social, onde 26,5% da população brasileira, vive abaixo da linha da pobreza. Somos um país rico em recursos naturais: minérios, petróleo, reservas de água doce (13% das reservas mundiais), terras férteis e abundantes, florestas ricas em biodiversidade, possuímos mais de 7 mil km de encostas marítima, clima temperado e povo trabalhador. Mesmo com todas estas riquezas brasileira, por incrível que pareça, ainda hoje em pleno século XXI, existem brasileiros morrendo em conseqüência de doenças comuns, que poderiam ter sido evitadas e tratadas. Ainda hoje, existem brasileiros sem acesso a serviços básicos de educação e saúde. Um exemplo disso está nos povos indígenas, que vivem uma completa exclusão social, sem as mínimas condições de dignidade, embora morando em vastas áreas de terra. O petróleo é nosso, mas pagamos entorno de 5 reais o litro de gasolina na bomba.

Um dos grandes embates ideológicos que ainda ocupam os espaços políticos de nossa Nação está na questão da privatização de alguns serviços públicos. O tema que tomou conta dos debates no Congresso nos últimos dias foi a questão do leilão da Petrobrás, de poços de exploração de petróleo do pré-sal. Após acordarem a divisão dos recursos que serão obtidos com o leilão, que giram em torno de 110 bilhões de reais, entre estados e municípios de todo o Brasil, os parlamentares destravaram a pauta da reforma da previdência. O fato neste caso, é que a Petrobrás, detentora única da tecnologia de exploração em grandes profundidades (7 mil metros), não detêm recursos financeiros suficientes para explorar sozinha os poços do pré-sal. O Brasil precisa de investimentos de grandes aportes financeiros nas áreas de infra-estrutura, logística e prestação de serviços, investimentos estes, que o Poder Público estatal não tem as mínimas condições de fazê-los a curto prazo. As parcerias público privadas são necessárias para alavancarmos com urgência a economia do país e com ela a geração de emprego e renda, a inclusão social e a melhoria na qualidade de vida dos brasileiros de um modo geral.    

Quem tem fome tem pressa! O desenvolvimento é urgente, pra ontem... Estamos diante de um grande desafio e responsabilidade: garantir para esta geração, condições mínimas de dignidade humana, acessibilidade as garantias e direitos constitucionais, inclusão social de fato. Muitas outras gerações de brasileiros, foram condenadas de forma criminosa e sorrateira ao fracasso. Mesmo sem saber dos culpados, milhares de analfabetos, desempregados, desdentados,  assalariados, aposentados e marginalizados, tiveram seus sonhos roubados pela negligência e ganância de muitos governantes inescrupulosos.

 

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