Vereadores promovem debate sobre privatização dos Correios

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Uma Audiência Pública discutiu o projeto de privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), no Plenário Sete de Agosto. O debate foi provocado pela Comissão de Patrimônio e de Desenvolvimento Urbano e do Interior (CPDUI). Participaram funcionários e representantes de lideranças das principais entidades representativas dos servidores da estatal.

O plano de privatização dos Correios foi anunciado pelo governo federal junto com o de outras oito empresas estatais do país. A ideia de abrir mão do monopólio do serviço postal é defendida pelo governo devido aos resultados negativos. Apenas entre 2012 e 2016, foram registrados R$ 2,5 bilhões em prejuízo na estatal.

Outro argumento do governo Bolsonaro são os escândalos de corrupção. O Mensalão, por exemplo, foi descoberto a partir de um vídeo no qual um ex-funcionário dos Correios aparecia negociando propina com um empresário e mencionando o aval do então deputado federal Roberto Jefferson.

Por outro lado, o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect/RS) é contrário à privatização. Os funcionários alegam que os Correios estão em 100% dos municípios brasileiros, sendo que em 41% são atendidos pelo Banco Postal. “A população, principalmente dos municípios menores, depende dos Correios, tem muitas cidades que não possuem banco e a agência do Correio cumpre um papel social que não deve ser mantido após uma privatização”, defendeu o diretor do Sindicato, Josemar Lara.

O diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Evandro Leoni da Silva, também lembra que os Correios são autossustentáveis e não dependem dos recursos do Tesouro Nacional. “Nós estamos já há dois anos com lucros. O Correio não pega dinheiro do governo, ele é autossustentável e toda despesa ndos correios com pessoal, transporte, logística, sai dos correios, não dá prejuízo ao governo e nem a população como estão falando”, salientou.

Em setembro deste ano o Legislativo aprovou uma Moção de Repúdio ao projeto de privatização da EBCT. O autor da moção foi o vereador Alex Necker (PCdoB). Ele defendeu que os problemas de gestão não podem servir de argumento para a venda de uma empresa pública tão importante para o país. “Existem várias questões que precisam ser melhoradas nos Correios, principalmente no serviço de entrega de correspondências e encomendas, mas a privatização não é o caminho, a empresa, na verdade, precisa ser fortalecida”, argumentou o parlamentar.

O presidente da CPDUI, Luiz Miguel Scheis (PDT), salientou que é contrário à privatização dos correios por entender que milhares de pessoas de pequenos municípios afastados dos grandes centros, deixarão de ser atendidos pelo serviço, e considera importante que o Legislativo chame atenção das autoridades.

“Essas pessoas dos longínquos municípios, da selva Amazônica, por exemplo, terão que ir em municípios mais próximos e maiores buscar as correspondências que hoje são atendidas pelos Correios. Entendemos que o correio é uma empresa que não dá prejuízo, mas lucro aos cofres da nação, por isso eu saio muito feliz com o encaminhamento que aconteceu e sem dívida nenhuma, o resultado será positivo”, afirmou.

 O próximo passo, de acordo com Luiz Miguel é encaminhar um documento de repúdio a privatização dos Correios à Câmara dos Deputados, ao Senado Federal e ao Congresso Nacional.

Também participaram da audiência os vereadores Alex Necker (PCdoB), Ronaldo Rosa (SD), Aristeu Dalla Lana (PTB), Rufa Soldá (PP) e Renato Tiecher (PSL).

Os sindicalistas estão coletando assinaturas na região, assim como está sendo feito em todo o país, para tentar evitar a privatização. Os Correios empregam mais de 100 mil funcionários diretos. Contando com os familiares, são mais de 450 mil pessoas. Em Passo Fundo são 130 funcionários, destes 80 são carteiros.

Foto: Comunicação/Câmara Municipal

 

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