O padre do KG TC

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Ouvi esse causo em um almoço de família.

Diz que na década de 70, em Ibirubá, cidade do interior do RS, o padre era um alemão que viera para o Brasil logo após o término da segunda guerra. Como a cidade era de colonização predominantemente alemã, estava em casa.

Além de presidir a paróquia, o padre lecionava algumas matérias na escola primária, sendo famoso por ser enérgico, austero, mau humorado e muito, mas muito exigente. Isso alimentava uma certa antipatia do corpo estudantil para com o padre e não raro alguma vingança por causa de uma nota baixa ou algo do tipo.

E todas as vinganças tinham um só alvo: o carro do padre. Um novíssimo e brilhante VW Karmann Ghia TC vermelho que era o seu xodó.

Primeiro foram pneus murchos. Depois pneus furados, limpadores do parabrisas quebrados, retrovisores quebrados, escapamento entupido com bergamotas e uma longa lista de maldades.

O padre ia relevando, mas reclamava bastante em sala de aula e prometia orações imprecatórias contra os malfeitores, o que acirrava mais ainda os ânimos.

Até que numa sexta-feira sumiram com o KG do padre. De alguma maneira levaram o carro da frente da escola e esconderam do outro lado da cidade.

O padre logo imaginou o que havia acontecido, mas achou que a história estava indo longe demais e foi à polícia dar queixa.

Por sorte o KG foi logo encontrado e os engraçadinhos, identificados, acabaram liberados pela polícia.

Mas não sem antes prometerem estar com seus pais na primeira fileira de bancos da igreja na missa de domingo, para acompanhar um longo e instrutivo sermão do padre, em alemão, sobre o pecado e a maldição terrível de arder no fogo eterno do inferno.

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