Dia da Consciência Negra!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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A celebração de ontem foi muito significativa. A memória do dia da consciência negra tem um acento de resistência, celebração e fortalecimento da esperança. Em tempos em que o racismo se explicita de forma desavergonhada em diferentes setores da sociedade, é importante lembrar da luta e resistência do povo negro. A CNBB, através da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora publicou uma mensagem em vista deste dia que compartilho. Segue a mensagem:

Mensagem do dia nacional da consciência negra

Neste dia 20 de novembro a nação brasileira celebra o dia da consciência negra. É celebração porque a memória desta data é fruto da luta do povo negro que a compreende como significativa devido a morte do grande líder negro Zumbi dos Palmares.

Os afro-brasileiros somam, segundos dados do IBGE, mais da metade da população brasileira. É sabido da contribuição significativa dada por este povo na construção e na identidade deste país. Foi uma contribuição marcada pelo sofrimento porque a chegada dos antepassados nestas terras não aconteceu por livre vontade, mas caracterizada pelo flagelo da escravidão. A escravidão passou e ficaram as suas marcas. No período pós abolição o Estado brasileiro não se esmerou em nenhuma forma de reparação.  Os negros saíram da escravidão sem as mínimas condições de existência digna. Denunciar este pecado histórico não é vitimar, mas consciência da dívida que a nação tem para com o povo negro. Com esta consciência histórica é celebrado o vinte de novembro, dia da consciência negra. 

Alegramo-nos com as muitas conquistas do povo negro, fruto da luta e articulação social. Elas estão presentes no sistema de cotas; na presença dos jovens negros nas universidades públicas; no sistema de saúde que compreende as enfermidades próprias da genética negra, atuando na prevenção e no tratamento; no reconhecimento da cultura de origem afro brasileira como patrimônio do país; na obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana nas unidades de ensino, dentre outras conquistas. Sabemos que não vieram gratuitamente. São fruto da luta, articulação política e diálogo com a sociedade.

Atualmente as conquistas têm sido ofuscadas por sombras. Preocupa-nos o total descompromisso do governo federal para com o povo negro. Este descompromisso passa pela má vontade em relação a regularização dos territórios quilombolas, sucateamento do sistema de saúde e diminuição de verbas para a educação além de nenhuma iniciativa expressiva para coibir a violência contra a juventude negra.  

É dolorido saber que o racismo é disseminado sem nenhum subterfúgio, como se não soubessem que tal racismo é responsável não só pelo sofrimento existencial, mas pelo impedimento dos negros acessarem seus direitos. O racismo gera violência e os dados asseguram o aumento da mortalidade, sobretudo dos jovens negros.  Também se manifesta na intolerância em relação às manifestações religiosas de matriz africana. É resultado de um processo pernicioso onde a escravidão dos corpos escravizou as mentes e insiste em escravizar o futuro. Não é possível que isto continue. Enquanto Igreja denunciamos a prática da discriminação e racismo em suas diferentes expressões, pois ofende no mais profundo a dignidade humana criada à imagem e semelhança de Deus (cf. DAp 533).

Brasília, 20 de novembro de 2019.

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