Você é de direita ou de esquerda?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Muitas pessoas se perguntam hoje qual a sua ideologia partidária, se somos de direita ou de esquerda, afinal de contas, historicamente no Brasil, nos acostumamos a termos posições políticas, ideológicas, religiosas, desportivas e assim por diante, bem definidas, com posições firmes e geralmente antagônicas, como por exemplo: Arena ou MDB, Maragatos ou Chimangos, Colorados ou Gremistas, Bolsonaristas ou Petistas e assim por diante... O nosso Congresso Nacional há muito tempo deixou de lado a ideologia partidária para aderir a uma prática contumaz de agir pragmaticamente diante das votações, conforme interesses pessoais ou corporativistas, deixando literalmente de lado as “ideologias” partidárias. Depois do chamado governo de coalizão promovido pelo presidente Lula (2.003), aí é que as coisas ficaram ainda mais confusas na cabeça dos eleitores mais conservadores, ideológicos partidários, que até hoje se perguntam: Será que eu sou de direita ou de esquerda?  

No passado era fácil se definir ser de direita, ou de esquerda. De um modo geral, os que defendiam as bandeiras de esquerda, defendiam os interesses populares, os interesses dos mais fracos, oprimidos, dos menos favorecidos economicamente, dos operários, dos excluídos e assim por diante. Havia sim um fomento ao separatismo ideológico entre ricos e pobres, patrões e empregados... Com a conquista do governo Lula ao poder em 2.003, uma manobra política que uniu partidos de direita e de esquerda, chamado então de governo de coalizão, desmistificou-se uma série de “conceitos” partidários ideológicos, que até então eram seguidos catedraticamente pelos militantes partidários e pelo povo de um modo geral. A bandeira erguida pelos partidos de esquerda, que repudiavam o “mecanismo” de corrupção dos governos, as manobras ardilosas de desvios de dinheiro público, o uso da máquina pública para interesses pessoais, a negligência, o peculato, a formação de quadrilha e assim por diante, caiu por terra. O sonho de que um Brasil melhor seria construído foi arruinado pela ganância de alguns, que se deixaram seduzir pelo dinheiro público abundante e fácil. A luxúria e soberba foram maiores de que o caráter e honra. Os discursos empolgantes, ideológicos e carregados de emoção, às vezes até com lágrimas, eram falsos e fantasiosos. Verdadeiros ilusionistas de massas, que hoje vêem reveladas as verdadeiras faces criminosas, destes falsos líderes, profetas falastrões. Enterraram juntamente com suas biografias, o sonho de milhões de brasileiros.

Mas vamos à diante com nossa pergunta, se somos de direita ou de esquerda? Vamos fazer algumas perguntas que possivelmente poderão ajudar: Você a favor ou contra o desarmamento da população (em 2.005 o plebiscito foi contra a lei do desarmamento, porém o governo da época ignorou a opinião pública e aprovou a Lei do Desarmamento)? Você é a favor ou contra o aumento do Fundo Partidário Eleitoral? Você é a favor ou contra o fim do DPVAT? Você é a favor ou contra a isenção da cobrança pelas carteiras de estudantes? Você é a favor ou contra o 13º do Bolsa Família? Você é a favor ou contra a prisão em segunda instância? Você é a favor ou contra a publicação sem custo as empresas, dos balancetes financeiros? Você é a favor ou contra as verbas de publicidade para a Rede Globo? Você é a favor ou contra o aumento de validade da carteira de motorista? Você é a favor ou contra o fim dos radares móveis? Você é a favor ou contra o fim da reeleição? Você é a favor ou contra o pacote de medidas do governo Leite, aqui no RS? Você é a favor do aborto? Você é a favor da reforma tributária e da reforma política? Ficou confuso? Não se apavore, qualquer um de nós está. Diante de tantos temas que estão sendo debatidos no Brasil, com mudanças profundas que mexem com a vida de todos nós, se analisarmos os posicionamentos dos partidos diante de tantos temas, veremos que as questões ideológicas, de direita ou de esquerda, estão longe deste debate, portanto, é natural que estejamos “todos”, com uma verdadeira confusão ideológica pessoal.

Os próprios partidos já não sabem mais para que lado correr. O correto neste momento seriam os partidos mostrarem suas grandezas e superioridades diante de problemas pontuais e pessoais de alguns militantes envolvidos em ações ilícitas (condenados), expulsando-os compulsoriamente, até que resolvam suas situações com a justiça, demonstrando assim, para todos os filiados e a sociedade brasileira, que os partidos são maiores de que as pessoas. As pessoas vão e os partidos ficam. A causa é muito maior e assim deveria ser tratada. Os partidos não devem ser “usados” como balcões de negócio. Os partidos não devem ter “donos”, nasceram para atenderem a vontade popular de um determinado seguimento e não para serem usados como escudo para auto-proteção de seus líderes. A indefinição pessoal de cada um de nós brasileiros sobre nosso posicionamento político, como vocês podem ver, tem uma causa: O comportamento pragmático personalista de nossos representantes políticos, que fazem uma grande confusão mental no eleitorado, que votou com uma expectativa e agora se vê decepcionado com a sua posição. Os brasileiros estão se sentindo traídos e decepcionados com a classe política brasileira.

“As ideologias pessoais jamais devem se sobrepor aos interesses coletivos e constitucionais de uma Nação. Um governo que age com sensatez e justiça social, deve deixar de lado as ideologias personalistas radicais, olhando com respeito e atenção a todas as demandas de seu povo”.   

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