Na mira de um revólver

Postado por: Adalíbio Barth

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Na ação pastoral da Igreja Católica, há uma atividade que não foi descuida­da: a visita e a bênção das casas e das famílias. O povo valoriza muito a presença de uma pessoa ligada à comunidade cristã que vai ao encontro das pessoas para ouvir seus problemas e partilhar as alegrias. Para tanto, são escolhidas algumas pessoas que recebem o ministério da visitação e partem para a missão, não sabendo o que vão encontrar e o que precisam enfrentar. Geralmente são missionários num bairro ou numa vila de uma cidade maior onde o padre tem muita dificul­dade de marcar presença junto às famílias.

Um ministro da visitação ficou muito conhecido em certa comunidade, porque recebera este mandato e o exercia com muito zelo. Geralmente marcava duas visitas de manhã e duas pela parte da tarde. Não tinha muita pressa em passar logo todas as casas, pois, se demorava em diálogos mais prolongados, uma vez que as famí­lias eram carentes e necessitadas de uma conversa mais demorada. Geralmente quando retornava, tinha histórias originais para contar.

- E daí, quais as novidades do dia?

E logo aproveitava a ocasião para partilhar algum fato incomum:

- Cheguei numa casa bastante humilde, identifiquei-me como ministro da comunidade e o morador aceitou a minha visita. Segurou, pela corrente, um cachorro de raça que fazia a segurança em frente à casa. Pediu para entrar e sentar no sofá da sala. Ele entrou junto, abriu a gaveta de uma mesinha ao lado e retirou um revólver e o colocou ao seu lado, dizendo com muita arrogância:

- Comece logo a sua fala!

Sem se importar com este gesto raro, com toda serenidade, iniciou as orações. Depois, aspergiu as peças da casa com a água benta e ao voltar à sala não havia mais o revólver.

Ao sentir um ambiente de paz e gratuidade de serviço, o homem mudou o tom de voz, agradeceu a presença e pediu para voltar mais vezes. E ao sair, não havia mais o cão feroz, fazendo a guarda. Não entendeu como tudo isso aconteceu tão rapidamente.

As pessoas são consideradas suspeitas de más intenções e por isso não inspiram confiança. O homem se tornou lobo para o próprio homem. Você é incriminado só porque ainda não é conhecido como pessoa honesta e precisa provar o contrário. Vivemos numa socieda­de em que as pessoas se assustam da própria sombra. E você, como trata as pessoas que não conhece?

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