Democracia em Vertigem – Oscar 2020

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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O documentário brasileiro que está sendo exibido pela Netflix, “Democracia em Vertigem”, está sendo indicado pelo Oscar 2020, como melhor documentário. A indicação de imediato causou polêmica entre a opinião pública brasileira, onde os defensores e admiradores do documentário vibraram com a indicação, e, os críticos contrários, acharam uma verdadeira aberração.

Para quem não assistiu o documentário, trata-se de uma obra da diretora brasileira Petra Costa, que retrata o impeachment da presidenta Dilma, sob a ótica ideológica da referida diretora. Depois de ter sido indicado por alguns amigos, resolvi assistir o documentário. Pra começo de conversa, um verdadeiro documentário, quando é feito com isenção e imparcialidade, procura retratar a realidade dos fatos, buscando detalhes e informações, que favoreçam a compreensão e visão dos telespectadores, sob o tema em questão. As interpretações e suposições sobre a história contada devem ficar sob a ótica dos telespectadores e não da diretora do documentário, como é o caso. Conforme sua convicção política partidária, você fará interpretações divergentes sobre o documentário. Eu procurei assisti-lo com a maior das imparcialidades possíveis, mas achei muito vago em vários aspectos: primeiro que o documentário vitimiza os governos de Lula e Dilma, de uma maneira muito protecionista e parcial. Segundo, que o documentário, oculta alguns fatos importantíssimos, como por exemplo: os escândalos públicos e notórios do mensalão, petrolão, do êxito da Operação Lava Jato, do escândalo dos recursos bilionários enviados ao exterior pelo BNDS, das vendas de Medidas Provisórias (MPs), das informações privilegiadas do governo para alguns empresários e amigos... O documentário simplesmente desconsidera a maioria destes fatos, que são objetos de processos judiciais, em alguns casos, inclusive com sentenças julgadas, réus confessos, delatores que além de revelarem os mecanismos de corrupção, devolveram parte do dinheiro público roubado aos cofres da União.

Os julgadores do Oscar 2020, provavelmente irão seguir critérios técnicos de análise, que levarão em consideração, vários aspectos dos documentários que estão concorrendo, principalmente no aspecto de aproximação da verdade e realidade. A obra brasileira em questão, embora revele com muita propriedade, o funcionamento sistemático e endêmico de nosso Congresso, em minha opinião, deixou a desejar no quesito imparcialidade e impessoalidade, omitindo fatos e questões imprescindíveis a compreensão do fato histórico. Até mesmo a não cassação dos direitos políticos da ex-presidenta Dilma, que por lei deveriam ter sido cassados e não foram, não é citado no documentário. A entrevista com parlamentares e com membros do governo da época deixa claro aos telespectadores, o quanto o sistema político brasileiro está comprometido, doente, corrompido e ineficaz. As manobras políticas da Câmara e do Senado, que só movimentam-se em caráter pessoal, através de conchavos, “acordos” que nem sempre são cumpridos, são marcados por traições e quebra de compromissos. O presidente da Câmara dos Deputados (na época Eduardo Cunha) tem o poder supremo de pautar os projetos que lhe são interessantes, podendo “travar” todo o Congresso a qualquer instante, semelhante ao que ocorre hoje, onde o então presidente Rodrigo Maia, dá continuidade ao mecanismo exposto na obra.

Polêmicas a parte, acredito que o documentário “Democracia em Vertigem”, faz um papel histórico de expor de maneira democrática uma visão de momento político de nossa Nação. Embora minha posição pessoal seja discordante da visão da diretora do documentário e de muitos admiradores da obra, respeito e considero importante a nossa divergência. O debate de idéias e propostas no campo ideológico, diante de um País com tantas diversidades como é o nosso, demonstra-se extremamente salutar, para a construção de uma democracia sóbria e sem vertigem.      

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